As eleições presidenciais voltaram a colocar o voto antecipado no centro do debate público, depois de milhares de eleitores terem exercido esse direito no passado dia 1 de fevereiro, em Portugal. A possibilidade de votar antes do dia oficial das eleições é vista como uma solução para garantir maior participação cívica, mas levanta também dúvidas recorrentes sobre a segurança e o destino dos boletins de voto.
O voto antecipado permite que eleitores impedidos de comparecer no dia da eleição, por motivos profissionais, de saúde ou mobilidade, possam exercer o seu direito de forma legal e regulamentada. Para que o processo seja credível, todo o circuito do boletim de voto está sujeito a regras rigorosas.
Após o eleitor votar, o boletim é colocado num envelope próprio, que é fechado na presença dos responsáveis da mesa. Esse envelope é depois inserido noutro, juntamente com os dados de identificação do eleitor, assegurando simultaneamente o sigilo do voto e a validação do processo, de acordo com a Comissão Nacional de Eleições (CNE).
Onde ficam guardados os votos antecipados
Os boletins de voto antecipado são enviados para a câmara municipal do concelho onde o eleitor se encontra recenseado. É aí que ficam guardados até ao dia da eleição, sempre em instalações oficiais e em locais considerados seguros.
A custódia destes votos cabe às autarquias, sob a supervisão da Administração Eleitoral da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI), entidade responsável pela organização logística dos atos eleitorais em Portugal.
Medidas de segurança e controlo
Os envelopes com os votos antecipados permanecem lacrados e selados até ao momento legalmente previsto para a sua abertura. Não podem ser manuseados, abertos ou contados antes do encerramento das urnas no dia da eleição.
Todo o processo é acompanhado por regras estritas destinadas a evitar qualquer tipo de irregularidade, garantindo que os votos antecipados têm exatamente o mesmo valor que os votos presenciais, refere ainda a mesma fonte.
Papel da CNE
A CNE acompanha e fiscaliza todo o processo eleitoral, incluindo o voto antecipado. Cabe a este órgão assegurar que a lei é cumprida e que existem mecanismos de transparência suficientes para manter a confiança dos cidadãos. Qualquer irregularidade pode ser denunciada e analisada, sendo o processo eleitoral português considerado, de forma geral, robusto e fiável.
O que acontece no dia da eleição
No dia das eleições presidenciais, os votos antecipados são entregues às mesas de voto correspondentes aos eleitores. Só nesse momento os envelopes são abertos e os boletins misturados com os restantes votos, preservando o anonimato e o segredo do voto.
A contagem é feita em simultâneo com os votos presenciais, não havendo distinção entre uns e outros no apuramento final, de acordo com a CNE.
A forma como os boletins de voto antecipado são guardados e tratados é essencial para a credibilidade do processo democrático. A existência de regras claras, entidades fiscalizadoras e procedimentos padronizados contribui para reduzir dúvidas e garantir que cada voto conta. Num contexto em que a participação eleitoral é cada vez mais discutida, o voto antecipado assume um papel relevante, desde que acompanhado por transparência e rigor em todas as etapas do processo.
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