As obras de reposição de areia e proteção costeira voltam a marcar a atualidade no Algarve, numa altura em que várias praias se preparam para receber milhares de banhistas. Apesar de algumas intervenções terem sido aceleradas para garantir a abertura da época balnear, nem todos os trabalhos ficarão concluídos antes do verão, havendo projetos que apenas serão retomados quando as praias deixarem de estar ocupadas por veraneantes.
De acordo com o Expresso, uma das intervenções consideradas prioritárias decorreu na praia da Fuzeta, onde o avanço do mar colocou em risco a utilização do areal durante a época balnear. A obra, realizada em regime de emergência, envolveu um investimento de cerca de 400.000 euros e a colocação de 40.000 metros cúbicos de areia, permitindo assegurar condições para a utilização da praia durante os meses de verão.
Tempestades obrigaram a intervenções urgentes
O inverno deixou marcas significativas em vários troços da costa algarvia. Em algumas zonas, os temporais provocaram perdas de areal que chegaram aos 15 metros, obrigando as autoridades a avançar com operações de alimentação artificial das praias.
Segundo a mesma fonte, também no litoral de Loulé foram realizados trabalhos de reforço dos areais entre o Forte Novo, Vale do Lobo e Vale Garrão. A intervenção, que representou um investimento superior a 14 milhões de euros, permitiu recuperar uma faixa considerável de praia. Em alguns locais, o reforço traduziu-se num ganho de cerca de 50 metros de areal até à linha de água.
Investimento que se aproxima dos 20 milhões
As várias operações realizadas ao longo dos últimos meses fazem parte de uma estratégia mais ampla de mitigação dos efeitos da erosão costeira, um fenómeno que continua a afetar diversas zonas do Algarve.
O Expresso refere que, entre obras concluídas, em execução ou já contratualizadas, o investimento total destinado à reposição de areias e à proteção costeira aproxima-se dos 20 milhões de euros. Os dados disponíveis indicam ainda que a linha de costa algarvia tem registado um recuo médio de cerca de três metros por ano, reforçando a necessidade de intervenções regulares.
Há trabalhos que vão ficar para depois do verão
Apesar dos avanços registados em várias frentes, nem todas as empreitadas conseguiram cumprir os prazos inicialmente previstos. É o caso da intervenção entre a Praia da Rocha e a Praia dos Três Castelos, cuja conclusão foi adiada.
Durante uma visita à Fuzeta, realizada no Dia Mundial do Ambiente, a ministra do Ambiente explicou as razões para o atraso. “Temos tido problemas técnicos, tem sido difícil o transporte da mistura de areia e água. Não conseguimos acabar antes da época balnear por isso interrompeu-se e tirou-se tudo. Retomamos a seguir à época balnear”, afirmou Maria da Graça Carvalho.
Próximos passos já estão definidos
Além das intervenções nos areais, estão previstas novas ações destinadas a melhorar as condições de navegabilidade e a gestão sedimentar em diferentes pontos da região. Essas operações deverão avançar nos próximos meses.
Conforme a mesma fonte, estão previstas dragagens nos portos da Fuzeta, Tavira e Lagos, trabalhos considerados importantes para a manutenção das condições de funcionamento destas infraestruturas. Enquanto isso, as praias intervencionadas entram na época balnear com condições reforçadas para receber visitantes.
A ministra do Ambiente destacou ainda a importância da intervenção realizada na Fuzeta, afirmando que a decisão foi tomada para evitar problemas durante os meses de maior procura. “Foi mesmo para salvar a época balnear e ainda bem que o fizemos”, declarou. A frase resume o objetivo das obras realizadas este ano: garantir que as praias continuam acessíveis e utilizáveis, mesmo perante os desafios colocados pela erosão costeira e pelos fenómenos meteorológicos que têm afetado o litoral algarvio.
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