Em Portugal existe uma praia onde o valor médio de uma habitação ultrapassa os sete milhões de euros. Apesar de ser uma zona balnear pública, os terrenos envolventes são ocupados por moradias com preços acima da média nacional. A zona tem regras próprias de construção e uso, o que condiciona a ocupação urbana e influencia os valores praticados no mercado imobiliário.
Quinta do Lago: a praia com o imobiliário mais caro do país
De acordo com o Idealista, a praia com os preços mais elevados situa-se na Quinta do Lago, no concelho de Loulé. Esta zona está inserida no Parque Natural da Ria Formosa, sendo atravessada por um passadiço em madeira que permite o acesso ao areal.
Segundo a mesma fonte, o valor médio de venda por habitação ronda os 7,64 milhões de euros, com alguns imóveis a ultrapassarem os 14 mil euros por metro quadrado.
Estes números colocam a Quinta do Lago no topo do ranking nacional de preços de imobiliário junto à costa.
O acesso ao areal é livre, mas o espaço envolvente está regulado por normas que limitam o tipo e a densidade de construção. O número de habitações disponíveis é reduzido e a procura é superior à oferta, de acordo com os dados recolhidos.
Segundo o Jornal Económico, os compradores são na maioria estrangeiros, especialmente oriundos do Reino Unido, Alemanha e França. Muitos utilizam as propriedades como residência temporária durante o ano.
Zona classificada com acesso condicionado
A praia da Quinta do Lago está integrada numa área de estatuto ambiental específico. A localização junto à Ria Formosa obriga à existência de regras que condicionam a expansão urbana. O passadiço que liga a zona construída ao areal atravessa sapais e zonas húmidas protegidas.
O espaço balnear tem apoio de vigilância na época balnear, além de estruturas temporárias que asseguram os serviços mínimos exigidos por lei. A zona envolvente mantém-se sob gestão privada, embora o areal seja de acesso público.
A limitação de acessos rodoviários e o estacionamento controlado fazem parte da estratégia local de ordenamento. Estas medidas procuram garantir que a zona costeira mantém os níveis definidos pelas entidades que regulam a utilização do parque natural.
Segundo a mesma fonte, a presença de unidades hoteleiras e habitações com uso sazonal é predominante. O número de residentes permanentes é residual quando comparado com o total de propriedades registadas na área.
Mercado imobiliário com valores acima da média nacional
Os preços na Quinta do Lago são os mais altos registados em Portugal para zonas residenciais com proximidade direta ao mar. Segundo o Idealista, este local lidera o top nacional de ruas mais caras para aquisição de casa.
As habitações disponíveis são maioritariamente moradias unifamiliares de grandes dimensões. Os terrenos disponíveis para construção são poucos, o que aumenta a pressão sobre os preços de mercado.
As regras urbanísticas da Quinta do Lago proíbem a construção em altura e impõem recuos mínimos e áreas mínimas por lote.
Estas condicionantes estruturais são apontadas pelas fontes como um dos principais motivos da valorização registada ao longo dos últimos anos.
O aumento da procura internacional, especialmente após a pandemia, foi também identificado como um dos factores que contribuiu para a manutenção de valores elevados no mercado da zona.
Praia pública integrada em zona de gestão privada
A faixa costeira da Quinta do Lago é pública e está incluída na lista de praias vigiadas durante o verão. A sua gestão é feita em articulação com as autoridades locais e com a administração do parque natural.
O acesso ao areal é feito unicamente a pé, através do passadiço que parte da zona urbana. Esta travessia, que inclui zonas de observação da fauna e da flora, é considerada pelas autoridades uma medida eficaz de proteção do ecossistema.
Segundo o Idealista, o tipo de utilização balnear é condicionado pela existência de normas ambientais e pela tipologia da população residente e visitante. Os serviços de restauração existentes nas imediações são licenciados pelas entidades competentes.
De acordo com o Jornal Económico, os custos associados à manutenção e funcionamento das infraestruturas da zona são repartidos entre as entidades públicas e os operadores privados presentes na Quinta do Lago.
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