O inverno climatológico em Portugal começa na segunda-feira, 1 de dezembro, e prolonga-se até 28 de fevereiro. O Meteored, site especializado em Meteorologia, publicou este sábado uma nova atualização com as primeiras tendências do modelo europeu para Portugal, avisando desde já que são projeções gerais e ainda pouco fiáveis para um período tão longo.
Nesta estação, dezembro, janeiro e fevereiro costumam ser os meses mais frios do ano e, em grande parte do território, também os mais chuvosos. Nos últimos anos, porém, os dados climatológicos sugerem que a diferença de precipitação entre outono e inverno em Portugal diminuiu no Continente, mantendo-se uma grande variabilidade nos Açores e na Madeira.
O cenário apresentado é prudente: não aponta “certezas”, mas tendências prováveis, sujeitas a mudanças nas próximas atualizações. Ainda assim, há sinais que ajudam a perceber onde o risco de chuva poderá ser maior e onde o frio poderá voltar a dar um ar da sua graça.
O que é mais comum acontecer no inverno
No inverno em Portugal, um dos padrões mais frequentes são as calmarias anticiclónicas, com dias soalheiros, geada, grande amplitude térmica e, por vezes, problemas de qualidade do ar. Este tipo de situação tende a trazer noites frias, mas nem sempre garante chuva.
Outro cenário típico são os fluxos de Oeste, com a passagem de depressões e frentes atlânticas, responsáveis por episódios de chuva e vento. Com menor frequência, podem ocorrer entradas de ar polar (marítimo ou continental) e depressões isoladas em altitude, que aumentam a instabilidade.
O Meteored lembra que estes “ingredientes” podem alternar ao longo do trimestre, pelo que uma tendência sazonal não significa três meses iguais. A leitura correta é: períodos mais húmidos ou mais secos, mais quentes ou mais frios, consoante a circulação atmosférica.
Onde poderá chover acima da média (e onde não há sinal claro)
Segundo as primeiras tendências do modelo de referência, a precipitação poderá ficar acima da média em zonas do interior Norte e Centro. No Sul, o Barlavento Algarvio aparece também com sinal favorável a mais chuva neste trimestre.
A Madeira surge igualmente com probabilidade de precipitação acima do normal, enquanto no resto da geografia nacional, para já, não se destaca uma tendência significativa. A própria Meteored sublinha que a fiabilidade é baixa e que estes mapas poderão mudar nas próximas semanas.
O texto aponta ainda para a hipótese de bloqueios atmosféricos entre a Europa Central e a Escandinávia, que podem empurrar depressões e bolsas de ar frio para latitudes mais a sul. Se isso acontecer, Portugal pode ter fases mais instáveis, mas sem um “padrão fixo” durante três meses.
Temperaturas: mais altas que o normal, mas com “janelas” de frio e neve
Do lado das temperaturas, a tendência mais provável é de valores acima da média trimestral em todo o país, com destaque para o Algarve e os arquipélagos dos Açores e da Madeira. Mesmo assim, o facto de a média ser mais alta não impede episódios pontuais de frio.
O Meteored considera impossível, nesta fase, afirmar se haverá (ou não) vagas de frio no inverno 2025/2026. Ainda assim, recorda-se o contexto dos últimos invernos: o IPMA classificou o inverno 2024/2025 como “muito quente” e o inverno 2023/2024 ficou marcado por meses com valores excecionalmente elevados, reforçando a tendência recente para invernos amenos.
Apesar disso, há uma nota que chama a atenção: os primeiros dias de dezembro poderão trazer neve a algumas serras do extremo Norte e à Serra da Estrela, algo menos comum em vários anos recentes.
Segundo o Meteored, para quem acompanha o tempo ao detalhe, a recomendação é simples: confirmar sempre com previsões de curto prazo e avisos oficiais, porque é aí que a incerteza baixa e os impactos ficam claros.
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