Um morador de Vieira de Leiria esteve quase duas semanas sem eletricidade após a passagem da tempestade Kristin e, quando a energia foi reposta, recebeu uma fatura com um valor estimado muito superior ao consumo habitual. O caso foi reportado à comunicação social e levanta dúvidas sobre os critérios utilizados na estimativa.
De acordo com a SIC Notícias, Paulo Almeida viu ser-lhe atribuído um consumo estimado de 184 quilowatts no período entre 29 de janeiro e 10 de fevereiro, precisamente os dias em que a sua habitação esteve sem fornecimento de energia.
Nos restantes 17 dias do mesmo ciclo de faturação, o consumo real registado foi de 45 quilowatts. Segundo a mesma fonte, o contraste levou o consumidor a questionar a coerência dos valores apresentados.
“Estou estupefacto, não consigo perceber. Até aceitava que tivessem estimado uma percentagem, mas esse valor é exorbitante, não há justificação”, afirmou Paulo Almeida à mesma fonte, descrevendo a surpresa ao receber a fatura.
Dias sem energia após a tempestade
A falha prolongada no fornecimento de eletricidade ocorreu na sequência da depressão Kristin, que atravessou o continente a 28 de janeiro. Vieira de Leiria foi uma das zonas atingidas pelo temporal, que provocou cortes de energia, água e comunicações, além de danos materiais significativos.
De salientar que as regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo estiveram entre as mais afetadas pelas depressões que atingiram o país. A passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou 18 mortos em Portugal, bem como centenas de feridos e desalojados.
Danos e constrangimentos
Entre as principais consequências registadas contam-se a destruição total ou parcial de habitações, empresas e equipamentos, queda de árvores e estruturas, encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, além de inundações e cheias.
Foi neste contexto de interrupção prolongada do fornecimento elétrico que começaram a ser emitidas as faturas relativas ao período afetado, incluindo a de Paulo Almeida.
Tentativas de contacto sem resposta
O consumidor afirma não ter conseguido contactar a fornecedora de energia, a Endesa, por continuar sem rede de comunicações. “Durante um terço do tempo, estimaram quatro vezes mais”, sublinhou, comparando o período sem eletricidade com os dias em que houve consumo efetivo.
A SIC Notícias tentou obter esclarecimentos junto da empresa, mas não recebeu resposta até ao momento da divulgação da sua reportagem. O caso expõe as dificuldades enfrentadas por alguns consumidores após eventos meteorológicos extremos, num período em que milhares de clientes aguardavam ainda pela normalização total do fornecimento de energia.
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