A época balnear começou com limitações inesperadas numa das praias mais conhecidas do Norte, onde a perda de areia transformou o acesso e a segurança dos veraneantes. A exposição de estruturas enterradas há anos e a alteração da dinâmica costeira levaram à interdição de uma parte do areal, por precaução.
A praia em causa é a de Moledo, no concelho de Caminha, cuja situação tem sido acompanhada de perto pelas autoridades locais e nacionais. Parte significativa do areal foi arrastada pelo mar, revelando os geocilindros de contenção instalados há cerca de uma década. A separação entre as duas zonas da praia agrava-se com a maré cheia, dificultando a circulação dos banhistas, tal como foi noticiado pelo Expresso.
Conhecida pelas suas águas ricas em iodo, a praia atrai há décadas visitantes em busca de benefícios terapêuticos associados a este elemento. O iodo, presente em elevada concentração na zona litoral, é frequentemente relacionado com efeitos positivos ao nível respiratório e cutâneo, o que tem contribuído para a reputação da praia como destino balnear com propriedades benéficas para a saúde.
Zona crítica vigiada
Com o agravamento da situação, a Polícia Marítima reforçou a presença no local e procedeu ao encerramento de três acessos ao paredão. A medida foi tomada por precaução, face à instabilidade da faixa costeira e à proximidade da zona de risco.
Segundo relatos de autarcas citados pela imprensa nacional, foi identificado um agueiro junto aos geocilindros, cuja exposição resulta da erosão progressiva do areal. Este fenómeno representa um perigo acrescido, sobretudo para crianças e jovens que tendem a circular nas proximidades. A área encontra-se agora devidamente sinalizada.
Joaquim Guardão, presidente da Junta de Freguesia de Moledo, expressou preocupação com a segurança dos veraneantes e criticou o incumprimento das promessas feitas no início de maio. Na altura, as autoridades ambientais garantiram a reposição de areia caso a dinâmica natural não a restituísse, o que, até agora, não aconteceu.
Intervenção adiada
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) admite agora que a intervenção estrutural apenas deverá avançar em 2027. Ainda assim, está a ser equacionada uma ação mais imediata, com caráter provisório, a executar antes do inverno. A situação da praia tem sido acompanhada e descrita em vários relatos publicados pelo jornal referido, onde se destaca a urgência de respostas concretas.
Segundo declarações recentes da APA, encontra-se em estudo uma resposta “a dois tempos”: uma solução de emergência que permita atravessar a próxima estação fria, e uma intervenção de maior fôlego, em fase de planeamento. Os encontros entre técnicos, junta e município têm sido frequentes.
Menos espaço, menos negócio
Do lado dos concessionários, as queixas prendem-se com a perda de espaço útil. Ana Paula Monraia, responsável por um apoio de praia no local há mais de 30 anos, viu-se forçada a reduzir para menos de metade o número de barracas disponíveis. “De 60, ficámos com 25. O areal desapareceu”, afirmou, em declarações já citadas pela imprensa.
A empresária receia os efeitos do próximo inverno: “A estrada está ali ao lado. Se vier uma tempestade forte, o mar entra sem pedir licença. Já nem penso nesta época, penso no que vem depois”, alertou. A curta distância entre a duna e a zona urbana é um dos principais motivos de preocupação entre moradores e operadores locais.
Habitações e estrada em risco
As infraestruturas localizadas na primeira linha da praia encontram-se especialmente vulneráveis. A duna que separava o areal da zona urbana, funcionando como principal elemento de proteção natural, perdeu parte da sua altura e consistência.
Técnicos envolvidos no acompanhamento da situação alertam que, caso não sejam adotadas medidas antes da chegada das marés vivas de inverno, existe um risco real de galgamento costeiro. Esse avanço do mar poderá ter impacto direto em habitações, estradas e outras estruturas próximas da linha de água.
O cenário é motivo de preocupação para os responsáveis autárquicos, que apontam a ausência de ações concretas como fator agravante. Como refere o Expresso, Moledo poderá estar a atravessar o momento mais crítico das últimas décadas, com o futuro da praia a depender da celeridade com que forem implementadas soluções estruturais.
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