No interior de Portugal ainda existem lugares onde o tempo parece correr mais devagar. São pequenas aldeias aninhadas entre montes e rios, quase imunes à pressa dos dias modernos. Algumas guardam vestígios de ordens medievais, outras mantêm viva a memória de práticas religiosas ou sabores regionais. Em Dornes, no concelho de Ferreira do Zêzere, cruzam-se todas estas dimensões num cenário de grande serenidade, com vista para a albufeira de Castelo de Bode. Localizada numa península banhada pelas águas calmas do rio Zêzere, a aldeia pertence ao distrito de Santarém e conserva marcas históricas ligadas à presença da Ordem dos Templários em território nacional.
Uma torre de cinco lados no coração templário
De acordo com o município de Ferreira do Zêzere, a Torre Pentagonal de Dornes é o elemento mais distintivo do casario. A construção desta torre na aldeia remonta ao século XII e foi mandada erguer por Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários. A sua geometria invulgar, com cinco lados regulares, continua a suscitar interpretações sobre a simbologia militar e espiritual da época.
Segundo a mesma fonte, o monumento foi usado como ponto estratégico de observação e defesa, numa altura em que as margens do Zêzere marcavam fronteiras instáveis entre diferentes territórios. Hoje, permanece como testemunho em pedra de um capítulo relevante da história medieval portuguesa.
Fé, culto e património religioso
Junto à torre ergue-se a Igreja de Nossa Senhora do Pranto, local de culto que atrai fiéis sobretudo durante as festividades religiosas do verão. O portal VisitPortugal refere que o templo conserva imagens sacras de valor artístico e integra um conjunto de arte sacra que tem despertado o interesse de visitantes e investigadores.
Apesar da dimensão reduzida da aldeia, há uma tradição de peregrinação que se mantém viva, reforçando a ligação simbólica entre espiritualidade e território.
Águas tranquilas e caminhos pouco explorados
A poucos metros do centro da povoação, encontra-se a praia fluvial de Dornes, inserida na zona ribeirinha e conhecida pela limpidez da água e pelo ambiente sossegado. Segundo o mesmo portal, a área é procurada durante os meses quentes por quem prefere espaços discretos a praias fluviais mais movimentadas.
A partir da aldeia partem trilhos pedestres que acompanham a margem do rio, atravessando zonas de floresta e miradouros naturais. Ao longo do percurso é possível observar a fauna local e captar vistas amplas sobre a albufeira, sobretudo ao final do dia.
Pratos de rio e doces com sabor a aldeia
De acordo com o guia Centro de Portugal, a gastronomia típica de Dornes reflecte a proximidade do rio e o uso de produtos locais. Entre os pratos mais referidos estão as enguias fritas, a fataça grelhada e os lagostins. A doçaria inclui composições simples, com abóbora, nozes e mel, muitas delas feitas em pequenas cozinhas familiares e vendidas à porta de casa ou em cafés locais.
A tradição gastronómica alia-se à hospitalidade da população, oferecendo uma experiência de mesa que mantém os traços da autenticidade rural.
A duas horas de Lisboa, longe da confusão
Dornes fica a cerca de duas horas de Lisboa por estrada, sendo também acessível a partir de Coimbra em pouco mais de uma hora. O site do Turismo do Centro salienta que, apesar de ser uma aldeia de pequena escala, tem vindo a ganhar destaque junto de visitantes que procuram experiências afastadas dos grandes fluxos turísticos.
A tranquilidade, a herança templária e a envolvente natural fazem de Dornes um destino cada vez mais procurado para escapadinhas curtas, sobretudo em épocas de menor afluência.
Entre memórias e paisagem, um lugar que resiste
Mais do que um postal medieval ou um refúgio sazonal, Dornes preserva um equilíbrio raro entre história, fé, paisagem e vida local. A torre da aldeia continua a ser símbolo da história medieval portuguesa e do legado deixado pela Ordem do Templários. Refere a mesma fonte que a simplicidade da aldeia contrasta com a riqueza histórica das suas pedras e dos seus caminhos.
A simplicidade das casas, o silêncio dos trilhos e a constância do rio ajudam a desenhar um retrato de continuidade que resiste ao tempo. Escreve o VisitPortugal que é essa mesma harmonia entre património e natureza que torna Dornes num destino singular.
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