Originária da América do Sul, a Wasmannia auropunctata, também conhecida como formiga elétrica, é uma das espécies exóticas mais perigosas do mundo e foi considerada “preocupante” pela Comissão Europeia. Apesar disso, e segundo o jornal espanhol La Vanguardia, Espanha não está a cumprir a obrigação de controlo imposta pela legislação europeia.
Uma ameaça invisível, mas séria
A presença desta formiga foi detetada pela primeira vez em Marbella, em 2018, e desde então alastrou-se para várias localidades de Málaga. Três estudos científicos recentes confirmam agora novos focos em Elche (Alicante) e no sul de Tenerife.
Segundo os investigadores, a sua expansão já atinge áreas naturais, revelando uma capacidade de adaptação invulgar.
Além de agressiva com outras espécies, a W. auropunctata pode picar humanos, provocar cegueira em animais domésticos e afetar seriamente a biodiversidade, ao eliminar outras formigas nativas.
Espanha ignora as obrigações europeias
De acordo com o Regulamento (UE) 1143/2014, quando uma espécie invasora é detetada, o país afetado tem três meses para iniciar um plano de erradicação. Isso nunca foi feito em Espanha, apesar das denúncias de investigadores como Carlos Pradera, coautor do estudo que identificou a espécie em Marbella.
“Com o transporte atual e as alterações climáticas, é provável que esta formiga chegue também a zonas como a Catalunha. Se não se agir agora, pode tornar-se numa praga impossível de controlar”, alertou Pradera ao jornal La Vanguardia.
Pode chegar a Portugal?
A possível chegada desta espécie a Portugal é motivo de preocupação, sobretudo devido à sua presença já confirmada nestas regiões do sul de Espanha. A proximidade geográfica e as semelhanças climáticas, em especial no Algarve, aumentam o risco de colonização, já que esta espécie adapta-se bem a ambientes húmidos e amenos, como estufas, jardins e áreas urbanas.
Plantas ornamentais na origem da infestação
A dispersão da espécie poderá estar relacionada com o comércio de plantas e cultivos ornamentais. Um estudo recente revelou a presença da formiga em cinco ninhos num campo de golfe em Tenerife. Em Elche, está já estabelecida numa área de mais de cinco hectares, incluindo zonas naturais, o que representa um novo desafio à contenção.
A sua resistência e agressividade preocupam os especialistas. A falta de resposta das autoridades pode comprometer o equilíbrio de ecossistemas sensíveis e aumentar o risco para a saúde humana.
“Ainda vamos a tempo, mas é preciso agir”
Carlos Pradera tem contactado várias administrações públicas para propor um plano coordenado de combate à W. auropunctata, mas até ao momento, não obteve resposta. Segundo o jornal espanhol La Vanguardia, os cientistas insistem que ainda é possível travar a expansão, mas o tempo está a esgotar-se.
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