O confronto entre D. Teresa e o seu filho Afonso Henriques marcou um dos momentos fundadores da história de Portugal. A batalha entre mãe e filho, ocorrida em 1128, ditaria o rumo político do território e abriria caminho à independência do Condado Portucalense. O episódio não é apenas um marco na narrativa nacional, mas o ponto de partida da identidade portuguesa.
Foi em Guimarães, nos arredores da atual cidade, que as tropas de Afonso Henriques enfrentaram as forças de sua mãe, então regente do Condado. De acordo com o portal Vortexmag, a Batalha de São Mamede deu-se a 24 de junho de 1128 e terminou com a vitória do futuro rei, o que levou à expulsão de D. Teresa para a Galiza. Este acontecimento valeu a Guimarães a designação de cidade-berço de Portugal.
Onde tudo começou: entre espadas e castelos
Segundo a mesma fonte, o conflito não foi apenas militar, mas também político, refletindo tensões entre os fidalgos locais e a crescente influência de nobres castelhanos. A vitória de Afonso Henriques representou uma rutura com o domínio de Leão e Castela e a afirmação de um novo poder autónomo.
Ainda hoje, esse legado pode ser visitado. O Castelo de Guimarães é um dos mais emblemáticos do país e está diretamente associado à fundação de Portugal. A poucos metros, o Paço dos Duques de Bragança apresenta-se como um testemunho arquitetónico do período, integrando-se num centro histórico classificado como Património Mundial.
Um percurso até à montanha
Além do passado histórico, Guimarães oferece experiências menos bélicas, mas igualmente marcantes. O primeiro teleférico de Portugal foi inaugurado nesta cidade a 11 de março de 1995. Com um percurso de 1.700 metros, liga o centro urbano à Montanha da Penha, a uma altitude de 400 metros.
Refere a mesma fonte que a viagem tem a duração de dez minutos e permite observar a cidade e os arredores até ao mar. No topo da montanha encontra-se o Santuário de Nossa Senhora do Carmo da Penha, inserido num extenso património natural com formações rochosas e vegetação diversa.
Lazer, culto e natureza no mesmo local
Escreve a mesma publicação que a montanha dispõe de infraestruturas para visitantes: restaurantes, hotel, bares, trilhos pedonais, minigolfe, circuito de ciclocrosse e parque de campismo. A conjugação entre culto religioso e lazer torna a Penha um dos pontos mais procurados da região.
Mais abaixo, o centro histórico continua a atrair visitantes. A Praça de São Tiago, o Largo da Oliveira e a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira são espaços emblemáticos. O Museu Alberto Sampaio, segundo o o portal de compra e venda de imóveis, Idealista, guarda peças, como o “loudel” de D. João I, usado na Batalha de Aljubarrota, e outros testemunhos da história nacional.
Gastronomia que se liga à terra
A visita a Guimarães também se faz à mesa. Conforme a mesma publicação, a tradição minhota expressa-se em pratos, como rojões com papas de sarrabulho, arroz de pica-no-chão, bacalhau com broa ou polvo à lagareiro. A doçaria conventual inclui a torta de Guimarães e o toucinho-do-céu, disponíveis nas pastelarias locais.
Estes sabores fazem parte do património da cidade e reforçam a ligação entre o passado e o presente, entre o que se vive e o que se recorda. Tal como o castelo ou o teleférico, também a gastronomia participa na construção da identidade local.
Para ver com calma, até de bicicleta
Para quem deseja prolongar a estadia, a cidade oferece várias possibilidades. O Parque da Cidade, com áreas relvadas e trilhos bem definidos, pode ser a sua escolha para passeios em família. A Ecovia de Guimarães, com cerca de 34 quilómetros, segue ao longo do rio Ave e pode ser explorada a pé ou de bicicleta.
Por fim, a menos de 20 minutos de carro, encontram-se as Termas das Taipas, um espaço de bem-estar e relaxamento procurado por residentes e turistas. O Centro Internacional de Artes José de Guimarães, com obras do artista homónimo, completa a oferta cultural com exposições de pintura, escultura e instalações.
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