Viajar de avião a partir de Portugal implica atenção redobrada ao que se leva na bagagem de mão. Os regulamentos internacionais impõem restrições apertadas, especialmente no transporte de líquidos, géis e pastas, o que inclui um conjunto de produtos que, apesar de parecerem inofensivos, são motivo de retenções e apreensões frequentes nos pontos de controlo de segurança.
É a partir dos aeroportos nacionais que se regista um fenómeno curioso. Entre os itens que mais frequentemente são barrados na zona de inspeção de bagagens, surge um produto tradicional da Serra da Estrela: o queijo amanteigado. Ainda que seja considerado uma iguaria portuguesa, a sua consistência coloca-o automaticamente na categoria de substâncias proibidas para transporte em cabine.
A lista que poucos consultam, mas que muitos deviam conhecer
De acordo com a ANA Aeroportos, os chamados LAG (líquidos, aerossóis e géis) abrangem uma variedade de produtos comuns, entre os quais estão incluídos “compotas e queijos moles”. A regra aplica-se a todos os produtos com consistência semelhante a pasta ou gel, sendo por isso necessária especial atenção ao embalar.
Segundo a mesma fonte, estes artigos devem ser transportados em frascos até 100 mililitros, dentro de um saco transparente com capacidade máxima de um litro. Em caso de incumprimento, os produtos são retidos e destruídos, independentemente do seu valor comercial ou afetivo.
Tradição, sabor e consistência ‘proibida’
O queijo da Serra da Estrela, produzido artesanalmente em localidades, como Celorico da Beira e Seia, distingue-se precisamente pela sua textura amanteigada. Conforme descreve o portal da Quinta da Cerdeira, produtora especializada, este queijo resulta da combinação de leite cru de ovelha, flor de cardo e sal, amadurecendo ao longo de cerca de 50 dias até alcançar a sua forma cremosa característica.
Refere a mesma fonte que, para ser devidamente apreciado, o queijo deve ser servido à temperatura ambiente e consumido de forma a que se possa barrar sobre pão ou tostas. Ora, essa mesma particularidade é o que o torna incompatível com as exigências das companhias aéreas.
Pequena escala, grande impacto
Explica a Quinta da Cerdeira que cada peça é produzida em pequena escala, com controlo de qualidade rigoroso, sendo acondicionada para manter uma microflora viva e natural.
O facto de ser um alimento não pasteurizado, com características organolépticas intensas, exige cuidados específicos de conservação algo que se complica quando o passageiro tenta levá-lo num saco de plástico à última hora, diretamente da feira ou do mercado regional.
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O momento em que o queijo fica para trás
Muitos passageiros só se apercebem da proibição no momento da inspeção de segurança. Acrescenta a ANA Aeroportos que, se o passageiro não tiver alternativa de despachar o item na bagagem de porão, este é automaticamente eliminado.
Esta situação gera frequentemente frustração, sobretudo em época alta, quando a compra de produtos regionais serve como forma de levar um pouco da terra natal até aos destinos da diáspora.
Há alternativas para quem quer viajar com sabor a Portugal
Para contornar o problema, recomenda-se que os produtos de consistência cremosa, como este tipo de queijo, sejam transportados na bagagem de porão, devidamente acondicionados e dentro dos limites legais de exportação de produtos alimentares.
A mesma fonte sublinha ainda que os passageiros devem verificar as regras do país de destino, uma vez que algumas nações impõem restrições adicionais à entrada de produtos de origem animal.
O peso das tradições no raio-x
Apesar dos alertas, continuam a ser frequentes os casos de apreensão de queijos moles nos aeroportos portugueses. Escreve a ANA Aeroportos que a informação está disponível online e afixada nos próprios terminais, mas muitos viajantes subestimam a aplicação prática das regras.
Sublinham os responsáveis que não existe qualquer exceção para produtos tradicionais ou para quantidades pequenas. O critério é técnico e aplica-se de forma uniforme.
Uma lição que se aprende à porta do embarque
Por mais envolvente que seja o sabor do queijo amanteigado da Serra da Estrela, o mesmo não escapa ao rigor das normas aeroportuárias. Transportar um exemplar sem cumprir os requisitos pode resultar não só na perda do produto, como também em atrasos e desconforto para o passageiro.
A título de prevenção, as autoridades recomendam que, antes de viajar, se consulte a lista atualizada de artigos permitidos e se faça uma avaliação criteriosa sobre o que levar consigo na bagagem de mão.
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