Centenas de pessoas foram hospitalizadas em vários países após consumirem amêijoas contaminadas provenientes do estuário do Tejo, num caso que envolve alegada falsificação de amostras usadas para avaliar a qualidade do marisco. De acordo com o Jornal de Notícias, o Ministério Público acusa um pescador português de ter enganado o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) ao entregar amostras que não correspondiam ao local real de recolha.
O caso envolve Jaime Oliveira, pescador de 63 anos natural de Alcochete, que entre 2022 e 2025 foi contratado para recolher amostras de amêijoa-japonesa numa zona situada a jusante da Ponte Vasco da Gama. Segundo a mesma fonte, essas amostras serviam de base às análises microbiológicas que determinavam se a apanha de bivalves podia ou não ser autorizada naquela área do estuário do Tejo.
Investigação começou com suspeitas sobre o estuário
As dúvidas surgiram quando as autoridades tentaram perceber por que motivo a apanha de amêijoa era proibida a montante da Ponte Vasco da Gama, mas permitida a jusante. Escreve o jornal que o Ministério Público decidiu aprofundar a investigação e pediu à Polícia Marítima que recolhesse novas amostras diretamente no local.
Essas amostras foram posteriormente enviadas para análise no Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge. Conforme a mesma fonte, os resultados revelaram níveis de contaminação que levantaram preocupações quanto à segurança alimentar dos bivalves recolhidos naquela zona.
Análises revelaram risco para a saúde
Os testes laboratoriais indicaram a presença de bactérias associadas a infeções alimentares. Segundo o Jornal de Notícias, foram identificadas contaminações por Salmonella e E-coli nas amêijoas analisadas.
A conclusão das análises foi clara quanto ao risco. A publicação cita o relatório que refere que “atendendo à contaminação encontrada nas análises realizadas, estaríamos perante géneros alimentícios não seguros e prejudiciais para a saúde”.
Amostras falsas terão enganado o IPMA
De acordo com a investigação, o pescador terá entregue ao IPMA amêijoas recolhidas noutros locais em vez das capturadas na zona que estava a ser monitorizada. Segundo a mesma fonte, esse procedimento terá comprometido a avaliação real da qualidade das águas do estuário do Tejo.
Apesar disso, Jaime Oliveira informava regularmente o instituto sobre as condições da recolha. Conforme explica o jornal, indicava dados como a hora da recolha, a temperatura da água e a profundidade, informações que as autoridades consideram terem sido falsas.
Centenas de internamentos ligados ao consumo
O Ministério Público relaciona o consumo destas amêijoas com um número significativo de casos de doença. De acordo com o Jornal de Notícias, foram registados 348 internamentos hospitalares associados a este episódio.
Esses casos ocorreram em vários países europeus. Foram identificados doentes em Portugal, Alemanha, Suécia, Irlanda e Grécia após o consumo do marisco contaminado.
Rede de comércio e exportação
Além da recolha de amostras, o pescador estava ligado ao comércio de amêijoas através da empresa Tagus Plus, Unipessoal Lda. Escreve o jornal que a empresa se dedicava à exportação deste marisco para Espanha.
A investigação levou também à acusação de sete homens do Montijo que transportavam amêijoas para o país vizinho. Conforme refere a mesma fonte, o Ministério Público acusa Jaime Oliveira de um crime continuado de falsificação de documentos relacionado com este processo.
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