A presença de um único ingrediente numa refeição servida a bordo de um voo da Emirates desencadeou um debate inesperado sobre segurança alimentar em aviões, trazendo para o centro da conversa as alergias graves e os limites da responsabilidade das companhias aéreas. O episódio ganhou projeção nas redes sociais e o que é certo é que a transportadora já tinha clarificado anteriormente a sua política sobre alimentos potencialmente alergénicos.
A discussão surgiu depois de uma passageira partilhar um vídeo que rapidamente se tornou viral, levantando dúvidas não tanto pela quantidade do ingrediente, mas pelo risco que a sua simples presença pode representar para alguns viajantes.
De acordo com o portal de notícias de aviação, Aeroin, a situação teve origem num vídeo publicado por uma influenciadora digital conhecida como Sophia’s Passport, na rede social TikTok. A passageira mostrou uma refeição de frango com manteiga servida pela Emirates, onde se destacava apenas uma castanha de caju colocada sobre o arroz.
A criadora de conteúdos apontou que a descrição do menu referia explicitamente a inclusão de “uma” castanha de caju, sublinhando depois que o prato correspondia exatamente ao que estava indicado, num tom assumidamente bem-humorado.
Reações além da brincadeira
Apesar de a autora do vídeo ter esclarecido que não se tratava de uma crítica à companhia aérea, a publicação gerou uma onda de comentários mais sérios. Muitos utilizadores focaram-se no risco associado à presença de frutos secos nos aviões.
Vários internautas defenderam que frutos secos, como nozes e castanhas, deveriam ser evitados em voos comerciais, devido ao perigo que representam para passageiros com alergias severas, suscetíveis de sofrer reações graves, como o choque anafilático.
Refere a mesma fonte que a discussão rapidamente ultrapassou o caso concreto e passou a centrar-se na segurança alimentar em contexto de voo, um tema recorrente sempre que surgem relatos envolvendo alergias. A simples exposição a vestígios de determinados alimentos pode ser suficiente para provocar reações em pessoas sensíveis, o que leva muitos passageiros a questionar se é possível garantir um ambiente totalmente seguro dentro de um avião.
Esclarecimento da companhia aérea
De acordo com a informação disponibilizada no site da Emirates, a empresa faz esforços para acomodar passageiros com restrições alimentares, mas não consegue assegurar um ambiente totalmente livre de alergénios a bordo dos seus aviões. A companhia explica que serve frutos secos e alimentos com ingredientes potencialmente alergénicos em todos os voos.
A transportadora sublinha ainda que outros passageiros podem levar comida própria, o que significa que podem existir vestígios de alergénios no ar da cabine ou nas superfícies, mesmo quando são tomadas precauções.
Limitações e recomendações
Salvo obrigação legal, a companhia aérea não realiza anúncios específicos a bordo para alertar para a presença de alergénios. As refeições especiais, destinadas a restrições médicas ou alimentares, são preparadas em instalações que lidam com vários ingredientes.
Refere a mesma fonte que, por esse motivo, não é possível garantir que essas refeições estejam completamente isentas de vestígios de substâncias alergénicas, apesar dos cuidados adotados durante a sua preparação.
O papel do passageiro na prevenção
Conforme o site da Emirates, os passageiros com alergias alimentares graves devem preparar a viagem antecipadamente, discutindo planos de ação com o seu médico antes do voo e transportando sempre a medicação prescrita, incluindo autoinjetores de epinefrina.
Acrescenta a companhia aérea que é aconselhável levar refeições próprias que não exijam refrigeração ou aquecimento, bem como informar a transportadora com antecedência sobre a condição, para que possam ser dadas orientações adicionais sempre que possível.
















