Será brevemente inaugurado um novo empreendimento turístico para férias junto ao mar, naquele que foi considerado pelo Correio da Manhã como “o país mais fechado do mundo”. A informação foi divulgada pelos meios de comunicação oficiais do país, que destacam a importância do projeto para o desenvolvimento da economia interna.
Chama-se Wonsan Kalma e localiza-se na costa oriental do território norte-coreano. A abertura ao público nacional está marcada para 1 de julho. O projeto estava inicialmente previsto para 2019, mas só agora ficou concluído, relata a BBC.
Infraestrutura de grandes dimensões
Com uma faixa de quatro quilómetros de praia, o resort tem capacidade para receber até 20.000 visitantes. A infraestrutura inclui hotéis, restaurantes, zonas comerciais e um parque aquático, segundo a agência estatal KCNA.
Wonsan tem especial relevância para Kim Jong Un, que ali passou parte da juventude. A região é também associada a lançamentos de mísseis no passado. O investimento no turismo surge como tentativa de redefinir a imagem da cidade, explica ainda a fonte britânica BBC.
Possibilidade de acesso restrito a estrangeiros
Para já, a abertura do Wonsan Kalma será apenas para turistas norte-coreanos. Ainda não é claro se e quando o resort irá receber visitantes de fora do país para lá passarem férias. Até agora, só turistas russos foram autorizados a entrar em determinadas áreas, refere a Reuters.
Durante a pandemia, a Coreia do Norte fechou fronteiras e suspendeu quase totalmente a entrada de estrangeiros. Apesar de alguns sinais de reabertura em 2023, o acesso voltou a ser restringido semanas depois, sem explicação oficial.
Férias com perfil interno
Este investimento é visto por alguns analistas como uma forma de estimular o turismo interno, numa altura em que as receitas do exterior estão limitadas por sanções internacionais. O país procura soluções para dinamizar a economia.
A construção do resort insere-se num modelo de gestão altamente centralizado. A maior parte dos recursos do país continua a ser canalizada para os setores militar e simbólico, como monumentos e infraestruturas em Pyongyang.
Restrições e sanções continuam ativas
As sanções ligadas ao programa nuclear mantêm-se em vigor e dificultam as trocas económicas com o exterior. Esta nova aposta turística surge num contexto de fortes limitações ao comércio internacional.
A Rússia e a China mantêm relações diplomáticas e comerciais com a Coreia do Norte. São também as principais origens de visitantes estrangeiros autorizados a entrar no país em ocasiões especiais ou através de pacotes turísticos organizados, explica a mesma fonte.
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Participação de Kim na cerimónia
A cerimónia de conclusão das obras decorreu a 24 de junho e contou com a presença de Kim Jong Un, da sua esposa e da filha, conta o The Guardian. A presença de figuras da elite do regime sublinha a importância simbólica do projeto para o governo.
Entre os convidados estava o embaixador da Rússia em Pyongyang, Alexander Matsegora, acompanhado por elementos da embaixada. A relação entre os dois países tem vindo a reforçar-se nos últimos meses.
Ligação ferroviária reaberta
A reabertura de uma linha ferroviária entre Pyongyang e Moscovo, encerrada desde o início da pandemia, insere-se nesse reforço de laços. Esta ligação poderá facilitar o fluxo de turistas russos para o país.
Algumas agências especializadas em turismo na Coreia do Norte manifestaram dúvidas quanto à atratividade do novo resort. Consideram que os visitantes internacionais continuam a preferir destinos como Pyongyang ou a zona desmilitarizada.
Férias num contexto cultural único
Apesar das dúvidas, há operadores que veem no país um apelo especial para turistas interessados em destinos fora do comum. A possibilidade de passar férias num local como o Wonsan Kalma pode atrair um perfil muito específico de viajantes.
As palavras “férias” e “país” raramente surgem juntas no contexto da Coreia do Norte. Ainda assim, a abertura de um espaço como o Wonsan Kalma revela um esforço do regime em apresentar uma nova faceta de um dos países mais fechados do mundo.
















