As redes sociais fazem parte do dia a dia de milhões de pessoas em todo o mundo, mas o seu impacto entre os mais jovens tem levantado sérias preocupações. Governos de vários países têm tentado encontrar formas de limitar o acesso desregulado de menores de idade a estas plataformas, à medida que crescem os alertas sobre os riscos associados. Agora, é a França quem toma posição e quer levar o tema à escala europeia, mais concretamente à União Europeia (UE).
França quer mudar as regras
O Governo francês anunciou que vai pressionar a UE para proibir o acesso às redes sociais por parte de menores de 15 anos. A proposta foi apresentada pelo Presidente Emmanuel Macron, após um episódio trágico ocorrido numa escola do leste do país.
Segundo Macron, citado pelo Pplware, é preciso agir com firmeza para evitar situações de violência juvenil com ligações ao ambiente digital. O chefe de Estado quer que esta proposta avance a nível europeu, defendendo que os menores devem ser protegidos de conteúdos que circulam nas redes.
Um caso que reacendeu o debate
A decisão de Macron surge após o esfaqueamento de um auxiliar de educação de 31 anos, alegadamente cometido por um aluno de 14 anos, durante uma revista a mochilas.
O primeiro-ministro francês, François Bayrou, afirmou que este tipo de acontecimentos não é um caso isolado e alertou para a influência nociva que as redes sociais podem ter sobre o comportamento de alguns jovens. Na mesma linha, Macron declarou numa entrevista à estação pública France 2 que “não podemos esperar mais”. O Presidente considera urgente adotar medidas mais restritivas.
Uso das redes em menores
Atualmente, muitos menores conseguem criar contas em redes sociais mesmo quando a idade mínima exigida, como os 13 anos, não é respeitada. Através de falsos dados de nascimento, têm acesso a conteúdos, interações e dinâmicas que nem sempre estão adaptadas à sua maturidade.
Vários especialistas, citados pela mesma fonte, alertam que este acesso prematuro pode interferir no desenvolvimento emocional e social dos mais jovens, além de os expor a fenómenos como o cyberbullying ou a pressão dos pares. França pretende, por isso, ir mais longe, propondo uma medida mais abrangente à UE, que impeça o registo em plataformas até aos 15 anos, independentemente da autorização parental.
A resposta da Comissão Europeia (CE)
Apesar da intenção francesa, a CE esclareceu que não tem, neste momento, planos para aplicar uma proibição generalizada a nível europeu. Thomas Regnier, porta-voz da Comissão, afirmou que esse tipo de decisão cabe aos Estados-Membros, explicando que “não é esse o caminho que estamos a seguir”, reforçando que as competências nesta matéria permanecem nas mãos de cada país.
Mesmo assim, a pressão política de França poderá relançar o debate a nível europeu e incentivar outros países a adotar medidas semelhantes.
Experiências noutros países
Em vários pontos do mundo, governos e autoridades regionais têm também tomado medidas para limitar o acesso de menores às redes sociais, refere a mesma fonte.
Por exemplo, em alguns estados dos EUA, já foram implementadas restrições mais apertadas, exigindo o consentimento dos pais para a criação de contas.
Estas iniciativas visam travar o acesso precoce e evitar que crianças e adolescentes fiquem expostos a conteúdos potencialmente nocivos. No entanto, estas medidas têm gerado debate, nomeadamente sobre os limites da liberdade individual, os direitos digitais e a eficácia de tais restrições.
Um debate com várias dimensões
O tema do uso das redes sociais por menores envolve diferentes áreas, desde a saúde mental até à segurança online, passando pela privacidade e literacia digital.
Há quem defenda que o caminho passa mais pela educação dos jovens e das famílias do que por proibições diretas. Outros argumentam que as plataformas devem ser legalmente obrigadas a criar mecanismos eficazes de verificação de idade. O certo é que o equilíbrio entre proteção e autonomia continua a ser difícil de alcançar e que o debate está longe de terminar.
O futuro da regulação digital
A proposta de França poderá não ter aplicação imediata, mas coloca novamente em cima da mesa a necessidade de um regulamento europeu mais claro sobre o acesso dos menores às redes sociais.
Num momento em que a presença digital começa cada vez mais cedo, e em que os riscos também se tornam mais visíveis, a questão da idade mínima volta a ser um dos temas centrais da regulação digital na UE, assegura o Pplware.
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