Com a chegada do verão, milhões de pessoas dirigem-se às praias para escapar ao calor e aproveitar o mar. Entre mergulhos e passeios à beira da água, há, no entanto, um visitante sazonal que tem vindo a multiplicar-se nas zonas costeiras, podendo transformar um dia tranquilo num problema inesperado.
Especialistas alertam que esta presença crescente está ligada a alterações no ecossistema marinho e pode afetar, sobretudo, quem tem uma saúde mais delicada. Um simples contacto com este organismo pode provocar reações de intensidade variável, que, em alguns casos, exigem assistência médica imediata.
De acordo com o jornal espanhol 20minutos, trata-se da proliferação de alforrecas e caravelas-portuguesas, cuja presença aumenta nas águas quentes e em áreas onde os predadores naturais diminuíram. A clavel-do-mar (Pelagia noctiluca) é a espécie mais comum, enquanto a caravela-portuguesa (Physalia physalis) se destaca pela aparência semelhante a uma alforreca, embora seja formada por vários pólipos que funcionam em conjunto.
Segundo a mesma fonte, os tentáculos destes organismos possuem células urticantes que desencadeiam reações diferentes em cada pessoa. Em indivíduos alérgicos ou com resistência baixa, o encontro com estes animais pode tornar-se perigoso, provocando dor intensa, irritação cutânea e, em casos extremos, complicações graves.
Correntes, calor e sobrepesca na origem do fenómeno
O diretor de expedições da ONG Oceana, Ricardo Aguilar, explica que o aumento da temperatura da água, aliado à poluição dos oceanos e à redução de predadores como a tartaruga-boba e o atum vermelho, tem favorecido a multiplicação destes organismos.
Acrescenta a publicação que fatores, como o vento e as correntes de alto mar influenciam diretamente a presença de medusas junto às praias. Nas costas de Baleares e Andaluzia, este fenómeno é mais visível, devido à localização destas regiões em corredores biológicos como o Estreito de Gibraltar.
A chegada destes animais ao Atlântico não está descartada, já que as correntes marinhas podem transportá-los para zonas habitualmente menos afetadas, criando surpresas para banhistas e autoridades locais.
Nos últimos anos, também se registou um aumento de espécies, como a medusa-ovo-frito (Cotylorhiza tuberculata), a medusa-comum (Aurelia aurita) e a água-viva-gigante (Rhizostoma pulmo). Segundo o 20minutos, estas espécies apresentam menor perigo, pois não conseguem perfurar a pele humana e, por isso, não provocam infeções nem efeitos urticantes significativos.
Risco invisível para quem frequenta o mar
As caravelas-portuguesas, pelo contrário, podem ser fatais em pessoas alérgicas ou sensíveis à sua toxina. Escreve o jornal que os tentáculos destes organismos chegam a atingir dez metros de comprimento e permanecem ativos mesmo após o animal ficar encalhado na areia durante várias horas.
Esta realidade tem levado muitos municípios costeiros a reforçar a vigilância e a sinalização das praias. Algumas localidades recorrem a bandeiras informativas ou alertas em tempo real através de aplicações móveis para avisar sobre a presença de medusas e caravelas.
A popularização de ferramentas de ciência cidadã, como a aplicação MedusApp, permite que os banhistas reportem avistamentos e picadas, fornecendo dados úteis para monitorizar as áreas de maior risco e compreender melhor o comportamento destes organismos.
Prevenção e cuidados após uma picada
Refere a mesma fonte que, em caso de contacto com os tentáculos, a recomendação principal é lavar a área afetada apenas com água do mar. A utilização de água doce deve ser evitada, pois pode ativar mais células urticantes e agravar o problema.
Retirar cuidadosamente qualquer tentáculo aderido à pele e aplicar frio local ajuda a reduzir a inflamação. Explica o 20minutos que, perante dor intensa, náuseas ou dificuldades respiratórias, o passo seguinte deve ser procurar rapidamente assistência médica. Cada organismo reage de forma diferente, pelo que uma situação aparentemente leve pode tornar-se séria se não for tratada corretamente. Em casos de alergia, a exposição à toxina pode ter consequências graves e até fatais.
A sensibilização para estes cuidados e a atenção aos sinais das autoridades nas praias são medidas essenciais para garantir que um dia de verão junto ao mar não se transforma numa emergência inesperada.
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