O governo britânico lançou um alerta dirigido a todos os turistas que regressam ao país: é proibido trazer carne ou produtos lácteos do estrangeiro, mesmo que sejam apenas sanduíches ou salsichas. A medida surge numa altura em que aumentam os receios com a propagação da febre aftosa na Europa.
A campanha foi anunciada esta quinta-feira, dia 24 de julho, pelas autoridades do Reino Unido e tem como principal objetivo proteger os animais de quinta britânicos contra uma eventual reintrodução do vírus que já foi responsável por prejuízos devastadores no passado.
Segundo a ZAP Notícias, a febre aftosa voltou a ser detetada entre janeiro e abril deste ano em países como Alemanha, Hungria e Eslováquia. Apesar de os surtos já terem sido controlados, o governo britânico prefere agir por precaução e apela à responsabilidade dos viajantes.
O que está em causa
Está em causa uma doença altamente contagiosa entre animais de casco fendido, como vacas, porcos, ovelhas e cabras. Os produtos alimentares, sobretudo carnes e lacticínios não tratados, podem ser veículos eficazes de transmissão do vírus, mesmo em pequenas quantidades ou produtos processados.
Esta nova regra para os turistas não deixa margem para dúvidas. “É ilegal os viajantes que entram na Grã-Bretanha trazerem produtos de carne ou lacticínios não tratados, incluindo borrego, porco, carneiro, veado e carne de cabra, bem como todos os outros produtos feitos a partir destas carnes ou que as contenham, como sanduíches e salsichas vindos da UE”, informou o executivo britânico, citado pela mesma fonte.
A Ministra da Biossegurança, Helene Hayman, deixou um apelo direto à população: “Pedimos ao público que leve isto a sério. Não tragam produtos animais ou vegetais proibidos para o país: colocam em risco o sustento dos agricultores“. Também a Veterinária-Chefe do Reino Unido, Christine Middlemiss, reforçou o aviso: “Compreendo que seja uma desilusão não poder trazer produtos das férias, mas evitem a tentação: assim estarão a ajudar a proteger os nossos agricultores.”
Vírus da febre aftosa
Este vírus, conhecido como da febre aftosa pode sobreviver durante longos períodos fora do hospedeiro, como por exemplo no solo, na água, no feno ou até na roupa usada. Apesar de não representar perigo significativo para os humanos, tem efeitos devastadores nos rebanhos e na economia rural. A doença causa febres, lesões na boca e nos cascos dos animais, e leva habitualmente à morte ou ao abate preventivo, segundo a mesma fonte. Embora existam vacinas contra o vírus, estas não são autorizadas na União Europeia, pois dificultam a distinção entre animais infetados e vacinados, tornando o controlo sanitário mais complexo.
O Reino Unido tem razões para estar em alerta. Em 2001, o país viveu um dos piores surtos de febre aftosa da sua história, que obrigou ao abate de cerca de 6 milhões de animais e resultou em prejuízos superiores a 7 mil milhões de euros. Para evitar repetir esse cenário, as autoridades querem garantir que nenhum viajante contribui, ainda que involuntariamente, para a reentrada da doença no território britânico.
A campanha agora lançada será acompanhada por controlo reforçado nas fronteiras e postos de entrada no país, com destaque para aeroportos e portos marítimos. Os viajantes serão informados à chegada e estão sujeitos a fiscalização dos bens transportados. Além da carne e dos derivados lácteos, também alguns tipos de plantas, sementes ou produtos agrícolas estão sujeitos a restrições semelhantes, por poderem ser vetores de outras doenças ou pragas.
As autoridades sublinham que a medida não é apenas legal, mas também ética. Proteger a saúde animal é, segundo o governo, proteger a segurança alimentar e o rendimento das comunidades rurais.
O apelo às emoções dos turistas não ficou de fora, refere a ZAP Notícias. A campanha publicitária mostra imagens de quintas familiares e animais saudáveis, seguidas do impacto trágico de um eventual surto. O objetivo é reforçar a ligação entre pequenos gestos individuais e grandes consequências coletivas. Com o verão a trazer um aumento nas viagens e regressos ao Reino Unido, as autoridades reforçam: nem uma salsicha, nem um queijo, nem um iogurte devem atravessar a fronteira. Para os turistas britânicos, esta poderá ser a regra de ouro das férias em 2025.
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