Uma cidade aqui ao lado está a implementar um conjunto de novas regras destinadas aos turistas durante os meses de verão. A iniciativa surge como resposta ao aumento de comportamentos desrespeitosos e incómodos nas zonas históricas e residenciais, que têm causado desconforto entre a população local. A campanha visa promover uma convivência mais equilibrada entre quem visita e quem ali vive.
Segundo o Observador, as autoridades lançaram uma campanha com o lema “Melhore a sua estadia”, visível em outdoors, autocarros e redes sociais. Entre as mensagens mais destacadas está a frase “No llames la atención”, traduzida como “Não chame a atenção”, que resume o apelo ao respeito pelas normas e pelos espaços públicos da cidade.
Dez orientações para quem visita
De acordo com a mesma fonte, esta campanha apresenta dez orientações dirigidas a quem visita a cidade. As autoridades pedem aos turistas que se evite gritar em zonas residenciais, ouvir música alta na rua, fazer barulho à noite, circular com o tronco nu fora das praias e que se utilizem casas de banho públicas, evitando comportamentos desadequados no espaço urbano.
Entre as medidas encontra-se também a proibição de circular com trotinetes e bicicletas em zonas pedonais. O objetivo é reduzir acidentes e proteger as áreas de circulação exclusiva de peões, onde o trânsito tem aumentado de forma preocupante com a chegada em massa de turistas.
Os residentes têm manifestado desagrado com o ruído constante, a acumulação de lixo, festas improvisadas e outros comportamentos que alteram a tranquilidade habitual de vários bairros da cidade. Nos últimos verões, as queixas intensificaram-se e a autarquia decidiu agir.
Coimas até 750 euros
Ainda segundo o Observador, estas novas regras são acompanhadas por um reforço no valor das coimas aplicadas a quem não as cumprir. Situações como urinar na rua, atirar lixo para o chão, embriaguez em público ou ruído excessivo podem resultar em multas que chegam aos 750 euros.
As autoridades locais aumentaram também o número de agentes no terreno, especialmente em zonas de maior movimento turístico. O objetivo é garantir que as novas normas são cumpridas e que a cidade continua a ser funcional e segura para quem lá vive.
O crescimento do turismo em massa tem sido um dos principais factores por detrás destas medidas. A chegada de milhões de visitantes por ano alterou o quotidiano da cidade, levando ao reforço de políticas de controlo e regulação.
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Tensão crescente com a população
No verão de 2024 surgiram autocolantes com mensagens como “Isto era a minha casa”, colados em várias fachadas e portas da cidade. Estes protestos simbólicos pretendem denunciar o impacto do turismo na vida dos moradores, especialmente no acesso à habitação e no aumento do custo de vida.
No início de 2025, multiplicaram-se manifestações com pedidos para limitar os navios de cruzeiro, regular com mais rigor os alojamentos de curta duração e promover um modelo turístico que tenha em conta os interesses da população residente.
A cidade tem vindo a seguir o exemplo de outras localidades em Espanha, que enfrentam pressões semelhantes. O turismo é visto como um pilar económico, mas também como uma ameaça ao equilíbrio urbano, caso não seja devidamente regulado.
Novas políticas em outras regiões espanholas
Na Catalunha, o Supremo Tribunal confirmou a remoção de 66 mil anúncios ilegais de alojamentos turísticos em plataformas como o Airbnb. Nas Ilhas Baleares, segundo o Observador, foi implementado um novo regulamento para festas em barcos e para o consumo de álcool em público.
Em Barcelona, o município anunciou o fim gradual dos apartamentos turísticos até 2028, numa tentativa de recuperar milhares de habitações para arrendamento tradicional. Estas decisões surgem em resposta ao crescente mal-estar social provocado pelo turismo desenfreado.
Apesar destas alterações, a mensagem das autoridades espanholas mantém-se clara: o turismo é bem-vindo, mas com regras. O objetivo é garantir que quem visita respeita o espaço público, os residentes e as normas locais.
A campanha lançada nesta cidade aqui ao lado reforça essa mensagem, apelando ao civismo e à contenção. Com frases como “Não chame a atenção”, pretende-se lembrar aos turistas que a experiência de viagem não deve comprometer a vida de quem lá vive.
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