Três freiras austríacas decidiram abandonar o lar de idosos para regressar ao convento onde passaram grande parte das suas vidas. O caso envolve Rita, Regina e Bernadette, com idades entre 82 e 88 anos, que optaram por voltar ao Kloster Goldstein, em Elsbethen, no distrito de Salzburgo. De acordo com o jornal Expresso, a Igreja concordou em permitir que permanecessem, com a exigência de que abandonassem as redes sociais, onde acumulam mais de 100.000 seguidores.
Retiradas do convento em dezembro de 2023 contra a sua vontade, as três religiosas foram encaminhadas para um lar católico. Segundo a mesma fonte, as irmãs acreditavam que poderiam permanecer na congregação enquanto a saúde o permitisse, por terem ali vivido décadas.
Portas fechadas
Quando decidiram regressar em setembro, encontraram portas fechadas e cadeados trocados, o que levou à intervenção de um serralheiro, com o apoio de estudantes e antigos alunos.
Num testemunho recolhido pelo jornal, a Irmã Rita recorda a sensação do retorno ao afirmar que se sentia “mesmo feliz e grata por estar de volta”. Bernadette acrescentou, conforme a mesma fonte, que nunca lhes fora perguntado se desejavam sair e que esperavam continuar ali até ao fim da vida. Antes de serem freiras, foram também alunas no edifício que, antes de convento, foi um castelo, mais tarde convertido em escola em 1877, recebendo rapazes a partir de 2017.
Viralização inesperada e o impacto público do caso
As imagens e vídeos das freiras a rezar, a almoçar ou, no caso da Irmã Rita, a praticar exercício, atraíram seguidores e apoio financeiro para alimentação e eletricidade. Escreve o jornal que até receberam presentes, como um par de luvas de boxe oferecido à mais jovem das três. Com o crescimento da presença digital, a história tornou-se conhecida na internet e mobilizou antigos alunos e apoiantes.
Quando a Igreja aceitou o regresso, segundo refere a publicação, definiu condições específicas: a interrupção total da atividade nas redes sociais e a limitação de entradas de pessoas externas à ordem na área reservada do convento. Como contrapartida, as religiosas teriam alojamento, acompanhamento médico e apoio espiritual garantidos.
Um acordo pendente e a permanência que se disputa
O acordo ainda não foi formalmente aceite. Conforme o Expresso, a Irmã Bernadette mantinha em 2023 a intenção de permanecer no convento, posicionando a decisão num impasse em aberto. Se aceitarem as condições, poderão continuar no espaço onde edificaram grande parte do seu percurso pessoal e religioso; se recusarem, o futuro permanece indefinido.
O caso, que começou como uma fuga, tornou-se episódio público através da internet e colocou em debate o equilíbrio entre tradição e presença digital. Para já, o que está em causa é a permanência das freiras no local que consideram casa, dependente de uma única renúncia: afastar-se das plataformas onde se tornaram conhecidas.
















