Os meses de verão são decisivos para o turismo e, todos os anos, surgem polémicas com novas formas de cobrar aos visitantes. Uma turista denunciou nas redes sociais que lhe cobraram 12 euros num restaurante de sushi em Ibiza por pendurar o saco num gancho da mesa. Segundo o jornal espanhol AS, o caso tornou-se viral e reacendeu o debate sobre a transparência de preços e os limites das “taxas extra” em destinos muito turísticos.
A denúncia e a conta inesperada
No relato publicado no X/Twitter, Laura Cunei descreve que a funcionária sugeriu colocar os sacos num pequeno suporte. A cliente recusou, mas acabou por aceitar após nova insistência. “A funcionária ofereceu-se, com cordialidade, para colocar as nossas malas num ganchinho na mesa. Recusámos a oferta, mas, perante a insistência, aceitámos.” A surpresa chegou no momento de pagar: quatro euros por cada saco, totalizando 12 euros. Perante a contestação, o restaurante terá proposto que as clientes ficassem com o próprio “gancho” utilizado.
Reações e dúvida sobre a legalidade
O episódio gerou centenas de comentários e pedidos de esclarecimento sobre a legalidade deste tipo de cobrança. Nas publicações, multiplicaram-se as referências a entidades de defesa do consumidor e contas ligadas ao setor da restauração, numa tentativa de perceber se a prática é aceitável e devidamente comunicada ao cliente.
De acordo com a mesma fonte, situações semelhantes têm sido reportadas noutros países. Na Áustria, um cliente disse ter pago um euro por pedir que uma pizza fosse servida em dois pratos. Noutro restaurante, junto ao lago Wörthersee, foi apontado um custo de oito euros por cada prato vazio solicitado. Estes relatos alimentam a discussão sobre até que ponto alguns estabelecimentos estão a testar limites para obter receitas adicionais.
E em Portugal?
Em Portugal, cobrar um extra como “gancho para mala” só é lícito se for um serviço facultativo, claramente publicitado no preçário/menu com preço visível e aceite pelo cliente antes de ser prestado. Se não estiver anunciado, se for imposto ou apenas surgir na conta, pode configurar prática comercial desleal e cobrança de serviço não solicitado, sendo legítimo recusar o pagamento e apresentar reclamação no Livro de Reclamações e à ASAE.
Turismo de massas e transparência
Entre residentes cansados do turismo de massas e empresários que alegam custos elevados e falta de mão de obra, a tensão é visível em vários destinos europeus, segundo aponta o jornal AS. Para os consumidores, o essencial é que as condições e eventuais suplementos sejam comunicados de forma clara, antes do serviço, evitando surpresas desagradáveis no final da refeição.
A história de Ibiza tornou-se um símbolo de um problema mais amplo: a necessidade de regras transparentes e comunicação honesta com o cliente. Sem isso, polémicas multiplicam-se, manchando a imagem dos destinos e minando a confiança entre quem visita e quem recebe.
Leia também: Esta será a nova idade da reforma em Portugal e há mais penalizações a caminho
















