Situada na costa norte da ilha de Fuerteventura, nas Canárias, a Playa del Bajo de la Burra é um destino cada vez mais procurado por viajantes que procuram experiências fora do habitual. Conhecida popularmente como “praia das pipocas”, de acordo com a revista Travel + Leisure, esta praia espanhola tornou-se viral pelas suas características formações brancas que lembram pipocas. O local atrai sobretudo curiosos e fotógrafos, e não tanto banhistas, já que o mar é agitado e a infraestrutura inexistente. A visita é possível durante todo o ano, mas é recomendada ao início do dia para evitar aglomerações.
Um fenómeno geológico com raízes marinhas
De acordo com o Turismo das Ilhas Canárias, os fragmentos que compõem esta praia não são areia tradicional, mas sim algas calcárias fossilizadas conhecidas como rodólitos. Estas formações surgem ao longo de décadas e resultam da acumulação de organismos marinhos endurecidos, expostos ao sol e à erosão. A sua aparência porosa e esbranquiçada, semelhante ao famoso snack de cinema, deve-se a processos naturais que decorrem ao ritmo lento de um milímetro por ano.
Segundo a mesma fonte, alguns destes rodólitos têm mais de 4.000 anos, formando parte de um ecossistema frágil e altamente especializado. Um estudo científico publicado em 2022 na revista Frontiers in Marine Science descreve a abundância destas formações ao redor de Fuerteventura, referindo que a espécie mais comum é a Lithothamnion cf. corallioides. O texto destaca ainda a importância de factores como luz, temperatura, correntes marítimas e a presença de corais para a proliferação dos rodólitos.
Levar uma pedra pode parecer inofensivo, mas é um risco para o ecossistema
Conforme a fonte acima citada, os rodólitos são essenciais para a manutenção da biodiversidade costeira, contribuindo de forma significativa para a estabilidade dos habitats marinhos. A sua remoção, ainda que feita em pequena escala por visitantes, representa uma ameaça direta, já que os detritos destes organismos são fundamentais para a formação e regeneração das praias.
O mesmo estudo apela a uma proteção ativa destes recursos biológicos, sublinhando que a remoção de rodólitos tem aumentado, comprometendo o equilíbrio ecológico local. As autoridades locais têm desaconselhado o transporte destas pedras como recordação, apelando ao respeito pelo património natural.
O que fazer (e o que não fazer) na “praia das pipocas”
A Playa del Bajo de la Burra não está equipada para o turismo balnear tradicional. Não há espreguiçadeiras nem serviços de apoio, e o mar apresenta frequentemente ondas fortes, tornando a prática de natação desaconselhada. A maioria dos visitantes opta por caminhadas, piqueniques ao ar livre e sessões fotográficas junto ao mar.
Situada perto da localidade de Corralejo, no município de La Oliva, a praia pode ser alcançada a pé, num percurso que leva cerca de uma hora, ou de carro, por um caminho de terra batida que exige alguma precaução na condução. Para quem preferir um refúgio mais confortável após a visita, uma das opções nas proximidades é a unidade Casa Montelongo, exclusiva para adultos.
Melhor época para visitar e cuidados a ter
Embora acessível durante todo o ano, os meses de abril a junho e de setembro a novembro, conforme a fonte acima citada, são apontados como ideais para uma visita, devido às boas condições climatéricas. As manhãs são o melhor período do dia para evitar o fluxo de turistas e garantir uma experiência mais tranquila.
É fundamental respeitar as indicações locais e não recolher qualquer material da praia, por mais inofensivo que pareça. Tal atitude não só protege a biodiversidade, como assegura que futuras gerações poderão continuar a observar este fenómeno natural em estado intacto.
Outros pontos de interesse nas redondezas
Além da Playa del Bajo de la Burra, existem outras praias nas imediações com características semelhantes, como a Playa del Hierro. Fuerteventura, a segunda maior ilha do arquipélago das Canárias, oferece ainda uma vasta diversidade de paisagens áridas, zonas de reserva natural e pequenas localidades costeiras de forte identidade insular.
Preservar para conhecer
O crescimento do turismo nas Canárias tem trazido novos desafios à conservação dos ecossistemas marinhos, de acordo com a Travel + Leisure. Locais como a “praia das pipocas” ilustram bem o equilíbrio delicado entre visibilidade mediática e responsabilidade ambiental. Preservar estas formações únicas é garantir que o contacto com o extraordinário não seja feito à custa da sua destruição.
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