A Playa de Caló des Moro, em Maiorca, é frequentemente apontada como uma das mais bonitas de Espanha e muitos portugueses visitam-na todos os verões. Com apenas 40 metros de comprimento, esta pequena enseada de águas azul-turquesa ficou famosa por causa das recomendações do ChatGPT e da popularidade nas redes sociais. Contudo, a procura intensiva transformou este destino paradisíaco num espaço saturado, com filas para aceder e resíduos deixados pelos visitantes.
De acordo com o portal Directo al Paladar, a praia recebe atualmente cerca de 4.000 visitantes por dia. A descrição do local como uma “atmosfera íntima e selvagem” contrasta com a realidade no terreno: turistas aglomeram-se em longas filas para entrar e sair e encontrar espaço livre na areia tornou-se quase impossível durante o verão.
Fama digital, consequências reais
O impacto da exposição digital é visível logo no acesso. A caminhada de 40 minutos até à praia não dissuade os visitantes, que se acumulam ao longo do trilho e esperam por uma oportunidade de entrar. Segundo a mesma fonte, o fenómeno tem sido alimentado por influenciadores e plataformas de inteligência artificial, como o ChatGPT, que continuam a destacar Caló des Moro como a melhor praia da ilha.
A pressão turística tem também provocado danos ambientais. Durante a noite de San Juan, a enseada foi palco de celebrações que resultaram na acumulação de lixo. Conforme escreve o Directo al Paladar, foram recolhidos 28 sacos de resíduos no dia seguinte, o que motivou um apelo por parte da Câmara Municipal de Santanyí à Demarcação das Costas para reforçar a vigilância no local.
Um ‘paraíso’ sob ameaça
Para além da pressão humana, a praia enfrenta ainda o desafio das alterações climáticas. Segundo um relatório da Greenpeace citado pela mesma fonte, Caló des Moro está entre as zonas costeiras mais vulneráveis de Espanha ao aumento do nível médio do mar. O cenário mais preocupante aponta para inundações permanentes ou perda significativa de areal em caso de emissões elevadas.
As águas em redor das Ilhas Baleares estão a aquecer 67% mais rapidamente do que a média global. Desde novembro de 2024, a região vive sob uma onda de calor marinha contínua, o que acentua a fragilidade dos ecossistemas locais e coloca pressão adicional sobre zonas balneares como Caló des Moro.
Entre selfies e sacos de lixo
Os efeitos da popularidade não se ficam pela degradação ambiental. O excesso de visitantes e a constante presença de lixo prejudicam também a experiência dos próprios turistas, que chegam ao local com expetativas moldadas por imagens filtradas e descrições idílicas. Muitos, como refere o Atlas News, deparam-se com uma realidade desajustada.
A Câmara Municipal defende o reforço das medidas de proteção. Fontes oficiais citadas pelo Última Hora sugerem a instalação de um posto de controlo da Guarda Civil para travar os comportamentos de risco e garantir a segurança do espaço. Até lá, a responsabilidade recai sobre os próprios visitantes.
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