Ano após ano repetem-se nos aeroportos espanhóis vários erros que conseguem ‘irritar’ equipas de terra, tripulações e passageiros em poucos minutos. Um profissional da agência de viagens Turama, com mais de trinta anos de experiência, decidiu expô-los em tom sarcástico: plastificar a mala, levantar-se mal o avião aterra, amontoar-se na porta de embarque antes de tempo, desfilar pelo terminal com a almofada cervical ao pescoço e abrir a mala no check in para redistribuir peso são os comportamentos que mais condicionam a experiência de viagem, segundo o jornal Noticias Trabajo.
Quem viaja em época alta é capaz de reconhecer estas situações nos aeroportos. Terminais cheios, calor, filas longas e nervos ajudam a que maus hábitos se multipliquem. O especialista da Turama avisa que ninguém está imune e resume o apelo com humor: “Não gostaria que os meus clientes se transformassem em nenhum destes cinco tipos de passageiros”.
Plastificar malas não protege
Há quem envolva a mala em camadas de película como se isso fosse um cofre. Na realidade, oferece sobretudo uma sensação de segurança que não resiste a ferramentas básicas. Como diz o profissional: “Lamento informar todos os embalsamadores de malas, mas a segurança da vossa bagagem continua em dúvida graças a duas descobertas muito recentes: a faca e a tesoura”. Em muitos terminais vêem-se malas embaladas que, ainda assim, chegam danificadas ou violadas.
Levantar-se mal o avião aterra pode atrasar todos
Assim que as rodas tocam na pista, multiplicam-se os passageiros que saltam dos lugares para tentar sair primeiro, segundo o especialista, citado pela mesma fonte. Ganham zero tempo e criam bloqueios nos corredores. O especialista ironiza: “Se nunca na vossa vida foram os primeiros em nada, não tentem compensar agora com isto”.
O aviso segue ainda mais direto: “Este tipo de comportamento só pode ter duas explicações totalmente diferentes. Ou tens problemas de próstata ou bexiga, ou não és capaz de entender instruções simples como senta-te ou levanta-te. Lamento dizer que só o primeiro caso tem tratamento médico”. Enquanto isso, a tripulação pede paciência e o desembarque atrasa.
A fila antes de tempo na porta de embarque
O embarque por grupos nos aeroportos existe por uma razão, mas há sempre quem se amontoe junto à porta muito antes da hora. Resultado: stress, empurrões e processo mais lento. O profissional recorre a uma comparação de infância: “Diz-me que nunca viste Rua Sésamo sem dizeres que nunca viste Rua Sésamo. O grupo quatro embarca depois do grupo três, o grupo três depois do grupo dois e o grupo dois depois do grupo um. Por isso se chama embarque por grupos e não embarca já porque tenho pena de ti”.
Reprodução TikTok @turama19 | DR
Almofada cervical não é acessório de gala
Passear pelos aeroportos com a almofada já encaixada ao pescoço não convence quem trabalha no setor. Mais do que ar de viajante experiente, transmite desleixo.
Nas palavras do especialista: “Não estás a mostrar que vais apanhar um voo muito longo, estás apenas a mostrar falta de dignidade. Todo o suor, ADN e células que estás a deixar nessa almofada estão a criar vida lá dentro e por lei devias ser obrigado a batizá-la”.
Abrir a mala no check in é o caos anunciado
Chegar ao balcão, descobrir excesso de peso e decidir abrir tudo diante da fila continua a ser um clássico de verão, de acordo com o funcionário, citado pela mesma fonte. O profissional descreve a cena com acidez: “Não há nada pior do que ter de engolir o unboxing obrigatório da mala de outra pessoa e ver a coleção de pijamas de desenhos animados que acabou de comprar antes das férias. Há um invento que resolve isso antes de sair de casa. Se não conheces, procura no Google. Chama-se balança”.
Além do embaraço, reorganizar peso na hora atrasa a fila, cria conflitos e pode implicar taxas extra por remarcação do voo quando o tempo aperta. Um minuto de prevenção em casa evita longos minutos de espetáculo público.
Sem números oficiais mas fácil de ver
Nem a gestora aeroportuária AENA nem as companhias costumam divulgar estatísticas sobre estes comportamentos, mas basta observar qualquer aeroporto espanhol em julho ou agosto para perceber que estão longe de ser raros, segundo o Noticias Trabajo.
Respeitar a ordem de embarque, pesar a bagagem antes de sair, manter-se sentado até ser seguro levantar e dispensar embalagens desnecessárias são gestos simples que poupam tempo, reduzem o stress e tornam a viagem mais suportável para todos.
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