A transição para a reforma é aguardada por muitos como um tempo de descanso merecido, mas para alguns profissionais transforma-se num choque financeiro e emocional brutal. Um bancário com 45 anos de serviço viu o seu percurso ser interrompido abruptamente por uma regra administrativa inflexível, lançando agora um aviso sério sobre a quebra acentuada de rendimentos na aposentação.
A história é relatada pelo jornal espanhol AS, portal de atualidade, que descreve o descontentamento de Leo, um profissional do setor bancário que residia em Bornem. Após 45 anos de descontos e dedicação à empresa, foi confrontado com um despedimento automático no exato momento em que completou 65 anos de idade.
O impacto na carteira foi imediato e avassalador para o orçamento familiar deste agora reformado. De um salário mensal que rondava os 3.800 euros, o antigo bancário passou a auferir uma pensão líquida de apenas 1.850 euros, uma redução drástica que alterou o seu padrão de vida.
A frustração do valor recebido
O antigo bancário não esconde a mágoa perante a nova realidade financeira, que considera desajustada face ao seu longo esforço contributivo. Em declarações reproduzidas pela imprensa, Leo sentencia que viver com este montante, após uma vida inteira de trabalho qualificado, é manifestamente “triste”.
Indica a mesma fonte que o casal, que se mudou para um apartamento na costa em 2016, consegue gerir o dia a dia graças à soma da pensão da esposa, que ronda os 1.450 euros. No entanto, a diferença abissal entre o salário que auferia no ativo e o valor da reforma permanece como uma fonte de desilusão constante.
Afastado contra a vontade
A saída do mercado de trabalho não foi voluntária, uma vez que o profissional tinha solicitado formalmente o prolongamento da atividade laboral. A lei permitia essa extensão até aos 67 anos, mas a política interna da empresa de não manter colaboradores acima da idade da reforma ditou o fim imediato da colaboração.
Explica a referida fonte que o interesse em continuar não era apenas financeiro, mas sim motivado pela paixão pelas novas tendências do setor. Leo queria manter-se ativo num ambiente marcado pela evolução das criptomoedas, pela robotização e pela inteligência artificial, áreas onde sentia que ainda podia contribuir.
Perdas financeiras acumuladas
A saída antecipada teve custos diretos no cálculo final da reforma, resultando numa perda mensal vitalícia. Se tivesse trabalhado até aos 67 anos como pretendia, a sua pensão seria superior em cerca de 50 euros mensais, um valor que agora lhe é vedado para sempre.
Além da quebra no rendimento mensal, o bancário viu esfumar-se parte do património que julgava seguro. Benefícios salariais atribuídos sob a forma de ações e opções da empresa acabaram por perder o seu valor ao longo do tempo, agravando o cenário financeiro da sua aposentação.
O refúgio nos investimentos
Perante a recusa da empresa em aceitar a sua continuidade, Leo recebeu a carta de cessação de contrato apenas três meses após ter manifestado vontade de ficar. O corte radical com a vida ativa obrigou a uma reestruturação total das finanças pessoais do casal para enfrentar os anos vindouros.
Explica ainda o AS que, para mitigar estas perdas e tentar garantir algum legado para os filhos, o reformado mantém-se ativo nos mercados financeiros por conta própria. A aposta contínua no investimento privado surge agora como o único mecanismo de defesa contra a desvalorização do seu poder de compra.
















