Várias razões explicam o ascendente da extrema-direita populista, a não confundir com o populismo puro ou com a extrema-direita apenas.
O ressentimento, algo pouco experimentado pelas zonas e classes centrais é atribuído, erradamente, à iliteracia, quando está documentado financiamento e votos das classes altas na extrema-direita.
O Algarve é uma região amputada do país e da sua identidade, há muito bastião da gentrificação, da migração massificada e da desertificação populacional, cultural e ambiental, onde se insiste em não reconhecer como problema a seca, agravado por todas miraculosas soluções económicas apresentadas.

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Nesta região, pouco funciona e não é de agora. Não há saúde, educação, transportes, ou cultura, excepto durante os três meses do verão e para inglês ver
São os locais, os melhores a entregar a região, primeiro ao turismo elitista em modo revivalismo hippiechic, depois ao turismo hooligan do alcoolismo e, aos fidalgos e executivos do golfe e das marinas, considerando cada um destes pregos no caixão, a tábua de salvação.
O Algarve nunca conheceu uma esquerda forte ou sofreu um volte face notável com o 25 de Abril, algo que continua por reconhecer e que, mais do que tudo o resto, contribui para mais ressabiados da revolução.
Enquanto o resto do país vive agora o fim acelerado do Estado Social, no Algarve, pouco se viu dele, pelo que o descalabro é manso.
Nesta região, pouco funciona e não é de agora. Não há saúde, educação, transportes, ou cultura, excepto durante os três meses do verão e para inglês ver.
As excepções existem e muitas acontecem por esforço da sociedade civil, tantas vezes à revelia dos governos locais e centrais, quando não, apesar deles.
É fácil de perceber que, após décadas de esquecimento e de uma existência fantasma durante três trimestres por ano, haja uma gana de revolta, mal direccionada, também porque, as alternativas não se apresentam em carne e osso.
Foi assim em Albufeira, onde para votar à esquerda era necessário votar numa coligação BE, Livre, restos independentes e PAN sob a alçada do PS, ou num PCP que esteve ausente dos debates e cujo programa não conheci. O resto são variações do mesmo: CH, PSD e IL.
O CH é certamente o passo em frente à beira do abismo, mas se a única forma de aprender que o fogo queima, é arder, ardamos então.
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia
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