Os Celtas, um grupo de povos caracterizados pelo uso da língua Céltica (Indo-Europeia) e pela cultura das urnas. Algumas fontes sustentam que a cultura Céltica se desenvolveu inicialmente na Península Ibérica e migrou ao longo da costa Atlântica até às Ilhas Britânicas. Estudos genéticos indicam que os Celtas escoceses, galeses e irlandeses eram descendentes dos Celtas da Península Ibérica, assim como inscrições mostram que os celtas do País de Gales vieram do sudoeste da Península Ibérica. Cerca de 3000 ac. ocupam a Europa e o celta era a língua comum. Todavia, o poder Celta está muito associado ao desenvolvimento da cultura Hallstatt (Áustria) e à descoberta da tecnologia do ferro (1200-1000 ac.), que reforçou o seu domínio por toda a Europa. As populações evoluem separadamente, originando diferenciações, embora mantendo as suas características essenciais. Os principais grupos Célticos incluem os Gauleses e os Bretões da Armórica no noroeste da França e os Bretões, Pictos, e Galeses das ilhas Britânicas, mas também os Galáticos na Turquia. Todavia, na Península Ibérica apenas ocuparam parte do território e aí tendo-se integrado com os povos que aí se encontravam, gerando sub-culturas territoriais de natureza e cultura Celtas: os Celtiberos, na Meseta, os Galáicos, os Asturos, os Cantabricos, os Celtici, no Alentejo, entre outros.

Professor coordenador (aposentado).
Escola Superior de Educação e Comunicação, Universidade do Algarve
Na atualidade, a genética de um europeu pode incluir partes idênticas de Yamnaya, de Celta e de agricultor anatólico, com uma gota de caçador-recolector
Embora sem um poder centralizado, eram a cultura e o poder na Europa. Entre 390 e 279 ac. os celtas saquearam Roma, invadiram a Grécia e conquistaram territórios na Ásia Menor e nos Balcãs. As campanhas de Roma contra os Celtas, a partir do século II ac., em França, na Ibéria e na Grã-Bretanha acabaram com o domínio Celta e promoveram a sua romanização. Na Grã-Bretanha, o domínio Romano apenas se estabelece no século I dc., limitando-se a pouco mais que a atual Inglaterra. No entanto, os romanos promoveram forte migração de europeus, sobretudo saxões, nos seus territórios britânicos, criando forte pressão sobre os territórios Celtas do Sudoeste (Gales), originando um novo fluxo migratório Celta para a Bretanha e as Astúrias no final da ocupação romana da Grã-Bretanha, cerca de 400dc.

As populações do Neolítico, face aos agressivos celtas, mantiveram a ocupação da faixa mediterrânea desde Marselha até à costa Vicentina em Portugal, incluindo os territórios Bascos e Aquitânia. Não obstante constituírem um conglomerado de tribos independentes, separadas por apenas umas dezenas de quilómetros e sem poder central, continuaram com a sua cultura, língua, economia e independência, podendo supor-se por algum tipo de superioridade cultural e económica e alguma utilidade para os restantes povos. Estes são os povos que os gregos encontraram, a que chamaram Iberos. Estrabão, no século I ac., escrevia que os iberos e os aquitanos eram similares e que falavam línguas parecidas. A língua ibérica era uma língua não indo-europeia e continuou a ser falada no domínio romano, pelo menos até ao sec. VI dc. Em todos se encontra uma escrita, sobretudo evidente a sul.
Num território tão extenso, naturalmente, com o tempo diferenciam-se subculturas e territórios tribais: Os Indigetes, nacosta Catalã; a sul e sudeste, intimamente relacionados étnica e culturalmente, os Tartessos, os Túrdulos e os Turdetanos; no atual Algarve e sul do Alentejo, os Cónios, ou Kinetes, cujo nome poderá derivar de Cónia, na Anatólia, donde tiveram origem, em 4000ac., as migrações que originaram a população agrícola neolítica em toda a Europa.
Os celtiberos habitavam o território entre a região Celta e os Íberos. Na zona de fronteira entre estes povos, houve um processo de interação que resultou em mútua influência cultural, gerador de uma cultura celtibérica, no século V ac. a sua língua seria celta.
Os lusitanos foram um conjunto de povos que desde o Neolítico habitaram o território entre os rios Douro e Tejo, estendendo-se pela Estremadura espanhola. Oriundos da Europa Central, de uma migração dos provavelmente dos Lusis ou Lysis, que ao longo dos séculos VIII e VII ac., se miscigenaram com os Celtas. As inscrições em língua lusitana mostram que tem semelhanças com o Celta.
Na atualidade, a genética de um europeu pode incluir partes idênticas de Yamnaya, de Celta e de agricultor anatólico, com uma gota de caçador-recolector. Os habitantes de um determinado local são descendentes dos que ali viveram num passado distante. Não há povos indígenas, nem o absurdo conceito de pureza racial. Todos vieram pelo Danúbio ou pelas estepes Russas, atravessando o Cáucaso ou o Próximo Oriente, de África ou do Oriente.
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