No actual contexto de guerra cultural – e não só – em que a extrema direita reclama a morte de um socialismo que não existe senão no nome de um partido, os resultados do pós-fascismo nas autárquicas serão determinantes para políticas culturais futuras.
É indiferente se os clones de André V. vencem as câmaras ou se conseguem pelouros, dado que a sua influência ideológica já venceu e determinará a tendência cultural dos subsídios camarários, já de si, tantas vezes, de dúbia atribuição.
Essa instrumentalização dos subsídios terá consequências para os produtores culturais dependentes de financiamentos, se não alinharem temáticas e abordagens com as visões dominantes.

Autor, tradutor e editor
No Algarve, onde os grunhos procriam em consanguinidade e em particular em Albufeira, centro nevrálgico neofascista, há muito que o ambiente, a seca, a saúde e a habitação deixaram de ser uma preocupação
Não será difícil de adivinhar que, ainda que não subscrevam a posição da extrema-direita, muitos sucumbirão à pressão, por sobrevivência financeira e porque se torna vez mais difícil afirmar-se publicamente contra o totalitarismo cultural sem sofrer repercussões.
Não são agora só questões concretas como as identitárias, mas toda uma ideologia que salta do tiktok para o real, dançando tolamente ao som do radicalismo neofascista de forma a que o torna o novo normal, erradicando subrepticiamente os avanços sociais das últimas décadas.
No Algarve, onde os grunhos procriam em consanguinidade e em particular em Albufeira, centro nevrálgico neofascista, há muito que o ambiente, a seca, a saúde e a habitação deixaram de ser uma preocupação e o actual presidente da autarquia, ao mesmo tempo que repudia o aumento da criminalidade, aumenta também o contingente policial, confirmando mais uma vez que não só o bloco central não é alternativa, como se governa a reboque da agenda pós-fascista.
Aqui, onde a política cultural é inexistente, facto que a conjugação do pelouro do turismo com o da cultura só confirma, há muito que se concentram os esforços na época turística, subjugando-lhe tudo e relegando os locais para uma categoria de invisibilidade, pelo que o risco de destruição cultural perpetrado por candidatos como Rui Cristina, é vastamente inferior, pois pouco resta para ser destruído.
E será uma questão de tempo até tudo se extrapolar para o resto do país.
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia
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