Após o tempo de desestruturação completa dos territórios do Próximo Oriente e Anatólia, no final do II milénio ac. (1200-1100 ac.), os povos invasores instalam-se como pequenos reinos, com diferentes línguas e culturas, como os filisteus, hebreus, arameus, fenícios e mesmo alguns reinos dos sobrantes do anterior império hitita (neo-hititas).
Cerca de 1150 ac. assiste-se ao desenvolvimento da prosperidade das cidades fenícias. A civilização fenícia foi uma cultura comercial marítima que se espalhou por todo o Mediterrâneo, tornando-se a principal potência naval e mercantil, estabelecendo feitorias ao longo da costa mediterrânea e sul da Península, como Cádiz, Málaga, e em Portugal, Castro Marim, Tavira, Faro, Alcácer do Sal e Lisboa, cujo entreposto comercial se designaria “Alis Ubbo”, chegando mesmo à Grã-Bretanha. Exploraram a costa atlântica de África até ao golfo da Guiné e terão percorrido o mar Vermelho, circum-navegando o continente africano, regressando três anos depois.

Professor coordenador (aposentado).
Escola Superior de Educação e Comunicação, Universidade do Algarve
A colonização fenícia e grega promoveu a identidade nacional dos povos indígenas, talvez a designação grega para “autóctones” ou “indígenas” ou apenas uma derivação para grego da palavra “untikesken” da língua indígena
A civilização grega também se recompõe lentamente. A Grécia era efetivamente um conjunto de cidades-estado, que a partir de 750 ac. iniciaram um processo de expansão, cada uma procurando estabelecer entrepostos comerciais. Se em torno do Mar Negro se estabeleceram cerca de 90 entre 600 e 421 ac., apenas duas ou três se estabeleceram na Cólquida-Ibéria. Uma das cidades gregas, a Foceia, orientou a sua expansão para o Mediterrâneo ocidental, estabelecendo feitorias em Marselha (Massália) em 600 ac., Nice, Cannes e Ampúrias (Empórium), na Catalunha, entre outras, enquanto os Fenícios continuaram com as suas colónias a sul, nomeadamente em território dos Tartéssios e Cónios. Os iberos falariam uma língua semelhante e, fruto do contacto com Fenícios e Gregos, desenvolveram uma escrita, desde o séc. V ac.
Um exemplo é o estabelecimento de uma colónia junto de uma povoação numa ilhota junto à costa de Gerona em 575 ac., em território dos Indigetes (untikesken na língua indígena). Estas colónias não eram mais que um ponto de troca. Os barcos chegavam, depositavam mercadorias que os locais pagavam e carregavam mercadorias que os locais vendiam, deste modo criaram também nos Iberos uma cultura comercial. A consolidação desta relação levou à relocalização da feitoria para terra firme e a criação de Emporion, uma povoação estruturada em moldes gregos, em que coexistiam gregos e Iberos. Um entreposto com uma natureza essencialmente comercial, um “empório comercial”.

Para além de quintas dispersas, as 5 ou 6 povoações indígenas mais importantes localizam-se a uma distância prudencial de cerca 15-20 km em relação a Emporion, de modo geral situadas em lugares altos com visibilidade entre si e com Emporion, como uma semicircunferência delimitando uma área de cerca de 360 km2.
Ao longo dos séc. VI e V ac., as cabanas das povoações indígenas dão lugar a casas de grandes dimensões e complexidade arquitetónica, templos nos pontos mais elevados e campos extensos de silos, tanto dentro como no exterior do perímetro urbano fortificado. Se por um lado as povoações Iberas adquirem riqueza e a formação de uma elite comercial, por outro, a construção de defesas revela alguma instabilidade. Tinham escrita própria e cunhavam moeda.

Esta relação comercial continuou até ao domínio romano, do mesmo modo que continuou no Sul com fenícios, apenas perturbada pela disputa com os cartagineses que acabaram por substituir a influência fenícia. Tal como os gregos no Nordeste, os fenícios mantiveram com os locais uma relação essencialmente comercial, assim, o seu sucesso económico foi também o sucesso económico das elites indígenas. Gadir (Cádis) e Tartesso, situada na foz do Guadalquibir, transformaram-se em cidades importantes e ricas e os seus líderes poderosos.
No geral a colonização fenícia e grega promoveu a identidade nacional dos povos indígenas, talvez a designação grega para “autóctones” ou “indígenas” ou apenas uma derivação para grego da palavra “untikesken” da língua indígena. Ou ainda, que o nome provenha da designação dos rios Ebro (Iberus) e Hiberus (atualmente Rio Tinto e Odiel).
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