Organizar uma viagem por conta própria pode parecer uma forma mais económica de ir de férias, mas há um conjunto de taxas “escondidas” que podem transformar um bom negócio num encargo inesperado. Das companhias aéreas às plataformas de alojamento, são vários os custos adicionais que escapam à vista desatenta e que, no final, fazem a diferença no preço das férias.
Segundo Rosário Tereso, jurista da DECO PROTeste, muitas destas taxas são obrigatórias, mas não devem ser apresentadas como surpresa na fase final da reserva. Em declarações ao Jornal de Notícias, a especialista salienta que “o ideal é que esta apresentação não seja feita a conta-gotas, para que se possa comparar preços noutras plataformas e saber, desde o início, quanto é que vai custar aquele serviço”.
Limpeza, serviço e até check-in fora de horas
No alojamento, as taxas associadas podem ir da limpeza ao serviço, passando por encargos de check-in fora de horas ou até comissões cobradas pela própria plataforma. De acordo com Eduardo Miranda, presidente da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP), estas taxas variam conforme o tipo de conta. “Na Booking, a taxa de serviço é paga pelo proprietário, mas no Airbnb depende se é um alojamento profissional ou particular”, explica.
A regulação europeia obriga a que o valor apresentado inclua todos os custos obrigatórios. Ainda assim, Miranda recomenda atenção redobrada à leitura das condições. “Pouca gente lê, mas é aí que estão as taxas por check-in tardio, ou outras regras que têm impacto no custo final”, reforça.
Taxas turísticas e valores diários por entrar na cidade
Em muitas cidades europeias, e em Portugal, aplica-se a chamada taxa turística. Segundo a DECO PROTeste, os valores variam por município e, em casos como Veneza, há até um custo diário apenas por visitar a cidade. “Essas podem ser as taxas surpresa, se os viajantes não se informarem com antecedência”, avisa Rosário Tereso. O Portal das Comunidades Portuguesas e os sites dos municípios são recomendados para confirmar estas cobranças.
Aeroportos, aviões e o que pode reaver se desistir
Nas viagens aéreas, as companhias aplicam taxas como a de segurança, de serviço por passageiro, carbono ou combustível alternativo. Algumas, como a de embarque ou de segurança, só são devidas se o passageiro embarcar, o que significa que, em caso de cancelamento, pode reaver parte do valor se as reclamar.
A jurista da DECO PROTeste sublinha que, embora as taxas devam estar discriminadas, nem todas as companhias são claras neste ponto. A taxa SAF (Sustainable Aviation Fuel), por exemplo, já aparece em várias transportadoras como custo fixo.
Casos concretos: TAP, easyJet, Ryanair e Cabo Verde
Numa simulação de viagem da TAP entre Lisboa e Palma de Maiorca, para dois adultos e duas crianças, o preço final ultrapassa os 1300 euros. Além da tarifa-base, são aplicadas nove taxas distintas, incluindo a de segurança, de serviço e ambiental. Já na easyJet, os valores são menos detalhados, com apenas a distinção entre tarifas totais e taxas governamentais.
Com a Ryanair, a discriminação é ainda menor, indicando apenas o valor total e a ausência de “impostos governamentais”. Em voos de longo curso, como para Cabo Verde, as taxas disparam: segurança, carbono, taxa local de embarque e outros encargos podem representar centenas de euros.
Cruzeiros e até o porto entra na equação
Para quem escolhe um cruzeiro, as taxas portuárias são inevitáveis. Segundo Nikos Mertzanidis, da Associação Internacional de Linhas de Cruzeiro (CLIA), o setor paga “até 17 categorias de encargos” e gerou em Lisboa, só em 2023, cerca de 317 milhões de euros em receitas fiscais.
Estas taxas, normalmente negociadas entre as companhias e os portos, permanecem estáveis por alguns anos. São públicas e podem ser consultadas nos sites das autoridades portuárias.
Compare e informe-se antes de reservar
O conselho da DECO PROTeste é claro: planear as férias com antecedência e confirmar todos os detalhes pode fazer toda a diferença. Verifique o que está incluído e o que é cobrado à parte, leia os termos e informe-se sobre os encargos aplicáveis ao destino, seja numa reserva aérea, marítima ou terrestre. Só assim garante que o custo das férias não acaba por ser maior do que previa.
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