Passar um dia de descanso junto ao mar está a tornar-se um luxo cada vez mais difícil de suportar. O que antes era visto como um programa acessível de verão, com espreguiçadeiras e chapéus-de-sol disponíveis para qualquer família, está agora a transformar-se numa despesa que muitos já não conseguem justificar.
De acordo com o jornal britânico Express, ao longo deste verão, multiplicaram-se os relatos de turistas que, perante as contas apresentadas nos estabelecimentos balneares, optaram por desistir de permanecer na praia. A escalada de preços não só surpreendeu visitantes ocasionais, como também afastou famílias habituadas a passar férias em alguns dos areais mais procurados da Europa.
Nas praias italianas, os valores para alugar espreguiçadeiras e chapéus-de-sol atingiram níveis históricos, marcando um dos verões mais caros de que há memória e provocando uma autêntica fuga de turistas de várias zonas emblemáticas do país.
Segundo dados divulgados pelo grupo de consumidores Altroconsumo, o custo médio de duas espreguiçadeiras e um chapéu-de-sol ronda agora os 180 euros por dia, mais 17% do que há quatro anos. Esta subida tem provocado um impacto direto no turismo, com regiões como a Calábria e a Emília-Romanha a registarem quebras de 15% a 25% no número de visitantes durante junho e julho, em comparação com 2024.
Resorts privados dominam a costa
Grande parte das zonas costeiras mais prestigiadas em Itália encontra-se concessionada a clubes privados, o que significa que, para aceder às melhores áreas de praia, turistas e locais têm praticamente de pagar o aluguer de espreguiçadeiras. Em destinos de luxo, como Alassio, na Ligúria, o valor diário ultrapassa já os 290 euros, enquanto em Gallipoli chega aos 253 e em Alghero a 206.
Estes preços, considerados incomportáveis para muitas famílias, têm gerado protestos e levado a uma crescente procura por alternativas, incluindo praias públicas menos conhecidas, mas também menos equipadas.
Custos afastam famílias italianas
Antonio Capacchione, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Balneares Italianos (Sib), reconhece que a situação afeta cada vez mais os próprios italianos. “Mesmo com dois salários, muitas famílias têm dificuldade em chegar ao fim do mês. Nessas circunstâncias, é natural que as primeiras despesas a cortar sejam as de lazer, entretenimento e férias”, afirmou.
Com o aumento do custo de vida e a pressão inflacionista, o tradicional hábito de passar férias nas praias italianas está a ser repensado. Para muitos, a conta do guarda-sol tornou-se simplesmente insustentável.
Tendência pode marcar os próximos verões
De acordo com o Express, especialistas acreditam que, se a escalada de preços continuar, Itália poderá assistir a uma redistribuição do turismo balnear, com praias privadas a perderem afluência e praias públicas a ficarem sobrelotadas.
Esta realidade já se reflete em locais como a Costa Amalfitana, onde alguns estabelecimentos reportam filas vazias de espreguiçadeiras, algo impensável há apenas alguns anos.
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