A procura de uma reforma tranquila no sul da Europa é um sonho para muitos, mas para um casal de reformados tornou-se uma necessidade vital de sobrevivência. A pressão de uma vida agitada na Alemanha e um grave susto de saúde precipitaram uma mudança radical de cenário que os trouxe até à Península Ibérica.
Ulrike e Harald Hollstein decidiram vender tudo e abandonar a região da Renânia há oito anos, trocando o frio do norte pelo sol de Espanha. A decisão foi impulsionada por um derrame cerebral sofrido por Harald, uma consequência direta do excesso de tensão acumulada ao longo dos anos de trabalho.
A história é relatada pelo jornal espanhol AS, uma publicação de atualidade, que detalha como o incidente médico serviu de ponto de viragem para a família. O casal admite que o caminho até à estabilidade não foi fácil, mas garante que a mudança de ares foi essencial para travar a espiral de doença, dizendo até que “foi a melhor decisão das suas vidas”.
Um refúgio modesto e seguro
A nova vida do casal desenrola-se num espaço habitacional modesto de apenas 50 metros quadrados. A casa foi selecionada especificamente por não ter barreiras arquitetónicas e por oferecer várias zonas ao ar livre, incluindo um terraço na cobertura que lhes permite desfrutar do clima.
Indica a mesma fonte que a localização obedeceu a um critério de segurança rigoroso definido pelos reformados. O objetivo era conseguir ver o mar de casa, mas mantendo uma distância suficiente da costa para evitar qualquer risco de inundações no futuro.
O stress que quase matou
O susto de saúde do marido funcionou como um alerta inadiável para a necessidade de alterar drasticamente o estilo de vida. A venda da residência na Alemanha foi o passo necessário para financiar esta nova etapa num ambiente considerado mais amável e propício à recuperação.
A rotina frenética do passado deu lugar a dias preenchidos por passeios com o cão, recados simples e pequenas tarefas domésticas. A recuperação física e emocional de Harald beneficiou diretamente do clima solarengo e do ritmo mais lento que encontraram no sul da Europa.
Uma vizinhança global
Explica a referida fonte que o casal se inseriu numa comunidade que funciona como uma autêntica torre de babel. O convívio diário faz-se com vizinhos de várias nacionalidades, incluindo espanhóis, belgas, holandeses, suíços e até uma família russa.
Esta atmosfera internacional e a simpatia das pessoas locais são apontadas como fatores cruciais para o bem-estar que sentem atualmente. O isolamento que muitas vezes atinge os estrangeiros foi substituído por uma rede de apoio social ativa e diversificada.
Regresso está fora de hipótese
Quando confrontados com a possibilidade de um dia regressarem ao seu país de origem, a resposta dos reformados é perentória e negativa. A qualidade de vida alcançada na Península Ibérica superou todas as expectativas e anulou qualquer desejo de retorno às origens.
Explica ainda o AS que a habitação do casal se transforma num refúgio de luz durante os meses de inverno, permitindo o uso do exterior durante todo o ano. Ulrike e Harald encontraram neste destino o lugar seguro onde se sentem finalmente atendidos e longe do perigo que o stress representava.
















