A história da segurança e defesa no continente europeu é marcada por exércitos poderosos e forças armadas capazes de garantir a soberania nacional. No entanto, há um país que desafia esta lógica: nunca teve exército e, ainda assim, é apontado como o território mais seguro do mundo. A sua história explica como conseguiu manter esta singularidade ao longo dos séculos.
Democracia antiga num país jovem
De acordo com o jornal espanhol La Razón, a Islândia tem a democracia mais antiga conhecida, embora seja também uma das nações mais jovens do planeta. A sua ocupação humana começou apenas no século IX, quando os primeiros vikings chegaram ao território, sendo Ingólfur Arnarson considerado o fundador da atual capital, Reiquiavique. Antes disso, apenas alguns monges irlandeses terão passado pela região, sem criar assentamentos permanentes.
Sabe-se também que a juventude desta nação europeia não impediu que se estabelecessem rapidamente instituições políticas inovadoras. Em 930 d.C. foi criado o Althingi, em Þingvellir, considerado o parlamento mais antigo do mundo ainda em funcionamento. Este marco histórico assinala o início da democracia moderna na Islândia, muito antes de outros territórios europeus adotarem sistemas semelhantes.
Da soberania partilhada à independência
Escreve o jornal que, apesar da sua tradição democrática, o país não foi sempre independente. Durante séculos esteve sob influência de outras coroas europeias. No século XIII aceitou a soberania do Rei da Noruega e, posteriormente, tornou-se uma província dinamarquesa. Só em 1944, pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial, é que a Islândia conquistou a sua independência plena, transformando-se na república que hoje conhecemos.
Após a independência, o país europeu registou um rápido crescimento económico, elevados índices de alfabetização e bem-estar social. O seu forte sentido de comunidade, aliado a uma elevada qualidade de vida, tem colocado esta nação entre os países mais felizes do mundo, ao lado de outros estados nórdicos, como Finlândia, Suécia e Dinamarca.
Segurança sem exército próprio
Refere ainda o La Razón que uma das maiores singularidades deste país é o facto de nunca ter tido exército. Em vez de depender de forças armadas próprias, a sua defesa baseia-se em acordos bilaterais com membros da NATO, contando com uma base militar em Keflavík. Esta estratégia permite garantir proteção sem necessidade de serviço militar, o que contribui para uma perceção de segurança elevada.
Saiba, contudo, que a ausência de um exército não compromete a segurança nacional. A Islândia apresenta uma das taxas de criminalidade mais baixas do planeta e uma grande confiança social, fatores que justificam o seu reconhecimento como o território mais seguro do mundo, segundo a OCDE.
Outros exemplos semelhantes na Europa são os microestados de Andorra, Mónaco, Cidade do Vaticano e Liechtenstein, que também não possuem forças armadas próprias e dependem da proteção de países vizinhos. Fora do continente, destacam-se ainda Costa Rica e Panamá, bem como algumas pequenas ilhas do Caribe, do Pacífico e da Micronésia.
Assim sendo, se quiser visitar o país mais seguro do mundo, note que existem voos diretos desde os aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, pelo que, em pouco mais de quatro horas, consegue chegar à Islândia.
Leia também: Transporta isto no carro? Prepare-se para multas superiores a 1.500€ e outras consequências graves
















