Entre pinhais e arbustos da costa sul de Portugal, existe um animal que poucos conseguem encontrar à primeira vista. Tem o dom da invisibilidade e uma forma de caçar que impressiona até os mais atentos à vida selvagem. Apesar de discreto, é um símbolo natural da região e está agora sob ameaça.
A espécie em questão é o camaleão, também conhecido por camaleão-do-Mediterrâneo (Chamaeleo chamaeleon), e é exclusiva do Algarve no contexto nacional. De acordo com o Algarve Marafado,o Algarve é o único ponto do país onde se pode observar o réptil em liberdade. O animal, que já foi presença frequente nas árvores e arbustos da região, tornou-se uma raridade.
Um habitante histórico do sul europeu
Segundo o portal Wilder, esta espécie é a única do seu género a ocorrer naturalmente na Europa, embora uma população introduzida do camaleão-africano também exista na Grécia. Em Portugal, o camaleão-do-Mediterrâneo terá sido introduzido antes de 1500, possivelmente por rotas comerciais entre o norte de África e o sul da Península Ibérica.
Especialista em camuflagem e caça silenciosa
O camaleão mede até 30 centímetros e pesa entre 10 a 120 gramas. É conhecido pela sua capacidade de mudar de cor, adaptando-se ao ambiente para se proteger de predadores e capturar presas. Caça com uma língua longa e pegajosa, capaz de atingir insetos como moscas e gafanhotos a uma velocidade impressionante, explica a mesma fonte.
O habitat típico deste réptil inclui pinhais, dunas e áreas com vegetação dispersa. Embora na Europa esteja geralmente limitado às zonas litorais, a espécie é adaptável e, noutras regiões, pode ser encontrada até em paisagens montanhosas.
Recomendamos: Mapa da canícula: onde o calor vai apertar mais em Portugal neste verão
Impacto das alterações climáticas e ameaças recentes
Segundo o mesmo site, as alterações climáticas poderão, paradoxalmente, favorecer a expansão deste réptil para zonas mais a norte da Península Ibérica. No entanto, há obstáculos significativos à sua sobrevivência: a destruição de habitats, uso de pesticidas, incêndios e a presença de cães e gatos que os caçam ou destroem os ninhos.
A expansão natural da espécie é dificultada pela fragmentação dos habitats. Criar corredores ecológicos pode ser uma solução. Estruturas simples como cordas ou cabos entre zonas de vegetação podem permitir a travessia de estradas sem que os camaleões tenham de descer ao solo, reduzindo o risco de atropelamento.
Hábitos discretos e atividade sazonal
Os camaleões são mais ativos entre a primavera e o verão. Durante o inverno, entram num estado de letargia. As fêmeas põem os ovos no outono e estes eclodem no verão seguinte. A esperança média de vida ronda os 10 anos, refere a mesma publicação.
Além do Algarve, já existem condições para esta espécie em várias zonas do país, como a Costa Vicentina, pinhais da Comporta, Melides, Meco, Serra da Arrábida e estuários do Tejo e Sado. Também são apontadas áreas no Alentejo, Beira Baixa e Douro Internacional como potenciais novos habitats.
Como reconhecê-lo e quando encontrá-lo?
Encontrar um camaleão exige paciência e atenção. Uma visita matinal a uma zona húmida, como descreve o Wilder, pode ser recompensadora. É possível vê-los camuflados em ramos de sabugueiro, à espera da primeira refeição, ou entre sobreiros e azinheiras ao som do canto de abelharucos. Nos passadiços que ligam a Praia Verdelago à Praia de Manta Rota, no Algarve, um olhar atento sobre a vegetação pode levá-lo a encontrar os famosos camaleões.
Leia também: Há uma nova fraude no Multibanco que pode deixá-lo de ‘carteira vazia’: veja como se proteger
















