Temos assistido a uma tendência crescente relativa à valorização das inúmeras profissões ligadas às áreas das ciências jurídicas em Portugal e no Mundo. O Mercado da advocacia na Capital cresce diariamente e tudo aponta para tempos frutíferos. Os factos são evidentes, nem sequer é necessária uma análise de factos concludentes ou previsionismos infundados, as grandes sociedades de advogados encontram um papel cada vez mais relevante no mundo civil. Se em 2021 as 30 maiores registaram uma faturação total de 518 milhões de euros, hoje, o número é bem mais relevante.
Há, porém, uma realidade que parece ser distante a este mundo, cuja ótica é totalmente fechada em torno de si própria, doença que, de resto, sempre padeceu. O Mercado algarvio é indiferente ao crescimento nacional e global. Pratica, para curiosidade de muitos, a máxime laboral e prestacional do “orgulhosamente sós”. Pergunta-se: de que interessa a Faro a faturação de Lisboa ou do Porto?
Esta triste mentalidade leva ao abandono que a região tem vindo desde a sua conceção. Se é verdade que as Instituições pouco ou nada se importam com o Algarve, também é facto que a população algarvia contribui para essa mesma inatividade. Nada fazer tornou-se o habitual, um imobilismo estático, plácido.
A solução passa por um projeto a longo prazo: a produção de talento e a fixação da qualidade. É precisamente nesta estratégia que entra o papel crucial da Universidade do Algarve. É indubitável o marco histórico e a capacidade transformadora que a UAlg teve desde a sua criação. A excelência da instituição promoveu projetos pião que são referência a nível nacional e mundial. O mesmo se deve passar com Direito.
O Mercado Algarvio, note-se, latu sensu, encontra-se em crescimento e procura-se que este seja constante. Porém, a sociedade económico-financeira sem juristas é construída sem os alicerces necessários para prosperar devidamente. O grande capital, os investimentos avultados, que procura fixar-se no Algarve não confia nos algarvios… recorre, por isso, à capital. Há que reverter este pensamento. A região precisa de juízes, magistrados do Ministério Públicos, notários, advogados. A sociedade é alicerçada no pensamento do Direito e é necessário praticar o mesmo no Algarve.
Com um ensino universitário estruturado, como de resto, é praticado pela Universidade do Algarve permitirá fixar, captar e aproveitar talento jurídico que, num futuro, ainda que distante, revolucionará o mercado algarvio. É fundamental defender a criação de um Curso de Direito na UAlg – o mesmo se defenda para a integralidade do Curso de Medicina, após a realização do 12º ano.
O Algarve necessita de formação jurídica superior, própria para criar um ecossistema autónomo e competitivo. Cabe combater a persistência de uma cultura regional de baixa exigência institucional e reduzia ambição estratégica.
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