No interior sereno do Algarve, longe do rebuliço das praias mais conhecidas e dos fluxos turísticos do litoral, existem recantos que preservam a autenticidade do território. Entre casas caiadas, ribeiras frescas, trilhos entre a serra e o barrocal e tradições com raízes profundas, algumas aldeias mantêm viva a tranquilidade de um Algarve menos exposto.
De acordo com o Expresso, estas localidades integram a colecção “Portugal Autêntico”, uma selecção de aldeias e lugares onde reina o sossego. Três delas destacam-se: Alte, Cachopo e Burgau, cada uma com a sua identidade e ritmo próprio.
Alte: entre ribeiras, arte e chaminés rendilhadas
No concelho de Loulé, Alte é uma das chamadas “Aldeias de Portugal”. Localiza-se entre o barrocal e a serra do Caldeirão, distinguindo-se pelo casario branco com chaminés trabalhadas e pátios floridos.
Segundo o mesmo jornal, um dos ex-libris é a Fonte Pequena e a Fonte Grande, onde se pode merendar e até mergulhar em piscina natural.
As águas seguem até à Queda do Vigário, uma cascata com lagoa de acesso livre. Pelo caminho, pode observar arte urbana e visitar a Casa do Artesão, onde Vanessa Vinhais trabalha com tecidos naturais.
O espaço acolhe também workshops de diferentes artesãos, como saboaria, cerâmica, bijuteria ou impressão botânica.
O Pólo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte, a Galeria de Daniel Vieira e a Casa do Esparto são outros pontos de interesse.
Nas redondezas, a fonte recomenda a rota PR15 LLE – Entre o Barrocal e a Serra. Para repor energias, pratos como o xerém ou o guisado de galo caseiro são sugestões locais. O Alte Hotel é uma das opções de alojamento.
Cachopo: onde as mãos ainda tecem e o tempo abranda
Em Tavira, mais concretamente na serra do Caldeirão, encontra-se Cachopo. Envolvida por montes e acessível por estradas nacionais secundárias, esta aldeia preserva a traça tradicional e elementos patrimoniais como a Anta das Pedras Altas.
Segundo o Expresso, nos anos 60, a aldeia chegou a ter cerca de 70 tecedeiras. Hoje, Otília Cardeira mantém viva essa prática, complementada por cestaria e artesanato em madeira.
O restaurante A Charrua serve pratos como javali estufado, enquanto o Retiro dos Caçadores dá a provar o tradicional bolo de mel, como sugere a mesma fonte.
Outro nome ligado à preservação das tradições é Nuno Palma, responsável por produzir aguardente de medronho com fruta da região. A Feira da Serra, em maio, e a Festa de Verão, em agosto, são momentos-chave da agenda local.
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Burgau: entre o mar, a pesca e os trilhos de pegadas antigas
Do interior volta-se ao litoral para visitar Burgau, aldeia piscatória no concelho de Vila do Bispo. Tal como explica o jornal, aqui ainda se veem embarcações junto à praia e pescadores a tratar das redes. É o ponto de partida para passeios de barco organizados pela Algarve Dolphin Lovers.
Rodrigo Clímaco, fundador da empresa, destaca que as experiências de pesca começam ainda com o nascer do sol. Sargos e safias são os peixes mais capturados, e os caramujos (ou “burriés”) dão nome à povoação, o termo Burgau é também associado a estas espécies marinhas.
O casario branco e azul desenha uma paisagem urbana que lembra Santorini, com escadarias e becos floridos. Nas arribas vizinhas encontram-se ruínas de uma antiga fortificação.
Para petiscar, o Expresso sugere O Clube Restaurante & Bar, e para explorar, as praias das Cabanas Velhas, Boca do Rio e Salema, onde há marcas de pegadas de dinossauros.
A Rota Vicentina também passa por aqui, incluindo a etapa entre a praia da Salema e a da Luz, bem como os trilhos da “Rota das 5 Aldeias de Budens”.
Três aldeias, três formas de viver o Algarve
Cada uma destas localidades oferece uma perspectiva distinta do Algarve: Alte, com o seu artesanato e frescura de ribeira; Cachopo, pela ruralidade e herança cultural; Burgau, entre o mar, a memória da pesca e os trilhos fósseis.
Longe das multidões, estas aldeias são propostas que apelam à descoberta com tempo e ao contacto com um Algarve ainda profundamente ligado à terra, à água e à memória.
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