Encontrar alojamento acessível em pleno verão no Algarve parece uma ‘missão impossível’, mas há exceções. Em agosto, é possível pernoitar numa das cidades mais famosas da região por menos de 100 euros, ao mesmo tempo que se desfruta de refeições de marisco a preços muito abaixo do esperado. Este destino tem ainda outra curiosidade: é a terra natal de Mário Centeno, atual governador do Banco de Portugal.
Falamos de Olhão, situada no coração do sotavento algarvio. A cidade piscatória que viu nascer Mário Centeno a 9 de dezembro de 1966 combina tradições marítimas, bairros antigos com arquitetura cúbica e um dos mercados mais emblemáticos de Portugal.
Segundo a informação disponibilizada pelo Booking, um motor de busca de alojamentos, um quarto twin na Pension Bicuar, no centro histórico de Olhão, custa 87 euros por noite para dois adultos no mês de agosto (19 para 20 de agosto). A unidade fica a apenas 250 metros do centro e próxima da zona ribeirinha, permitindo explorar os pontos turísticos sem necessidade de transporte.
Uma cidade com história e identidade
Os Mercados Municipais, construídos em 1912 e inaugurados quatro anos depois, são um dos principais ex-libris da cidade. Segundo o operador turístico Algartour, a estrutura de ferro e vidro assente em 88 estacas é um local de visita obrigatória para quem procura peixe fresco, frutas e legumes.
Já o Museu Municipal de Olhão, instalado na antiga Casa do Compromisso Marítimo, preserva a história local e o património ligado à pesca e à indústria conserveira.
Comer marisco sem gastar muito
Olhão é igualmente conhecido pela sua gastronomia, sobretudo pelo marisco fresco que chega diariamente das águas da Ria Formosa.
De acordo com a app de reserva de mesas em restaurantes, The Fork, no restaurante Tapas e Lendas é possível provar lingueirão ou mexilhão à marinheiro por oito euros, berbigão por 8,5 euros e até camarão grelhado por 8,5 euros a dose. Para quem procura opções mais ligeiras, há sopa de peixe por 3,5 euros ou bruschetta de muxama a 5,5 euros.
Bairros históricos e verão com ‘autenticidade’
Além dos mercados e da gastronomia, perder-se nas vielas do bairro antigo é uma experiência obrigatória. O casario branco com açoteias e miradouros, as varandas de ferro forjado e a calçada portuguesa refletem a autenticidade de uma cidade que cresceu ligada ao mar e que mantém uma forte identidade algarvia.
Para quem procura um Algarve menos massificado, mas com acesso a praias, passeios de barco pelas ilhas e uma oferta cultural sólida, Olhão oferece um equilíbrio raro entre preço, tradição e proximidade com a natureza.
Ilhas a poucos minutos da cidade
Uma das maiores vantagens de Olhão é a ligação direta às ilhas da Ria Formosa. A partir do cais da cidade, partem diariamente barcos para Armona, Culatra e Farol, onde é possível encontrar praias praticamente desertas, mesmo em agosto.
Uma viagem de ferry até à Ilha da Armona custa à volta dos quatro euros por pessoa e demora apenas 15 minutos, tornando-se uma alternativa económica às praias mais concorridas do barlavento.
Eventos e vida cultural
No verão, Olhão também se anima com festivais e eventos que atraem visitantes de toda a região. O mais famoso é o Festival do Marisco, que decorre em agosto junto à zona ribeirinha, combinando concertos ao vivo com bancas de ostras, amêijoas e camarão.
Mas há ainda o Passeio de Barco Noturno na Ria Formosa, promovido por operadores turísticos locais, que permite observar o pôr do sol entre canais e sapais, numa experiência que mistura natureza e lazer.
Com preços acessíveis, boa gastronomia e acesso a ilhas quase selvagens, Olhão mantém-se como uma das últimas cidades ‘genuínas’ do Algarve. Para viajantes que procuram escapar ao turismo de massas, este destino piscatório prova que é possível viver um verão algarvio a preços mais económicos.
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