No litoral recortado do sudoeste português, há um areal que continua a escapar aos mapas turísticos mais óbvios. Foi um refúgio escolhido a dedo por quem sabia ouvir o silêncio do mar como poucos. Hoje, apesar de estar cada vez mais presente em roteiros alternativos, guarda ainda o ambiente de reclusão que a tornou especial.
É em Odemira, mais precisamente na zona do Brejão, que se encontra a Praia da Amália, nome pelo qual passou a ser conhecida a antiga Praia do Brejão, situada a 15 minutos de carro da fronteira com o Algarve.
Um nome herdado da vizinhança
De acordo com o Algarve Marafado, esta praia alentejana ficou associada a Amália Rodrigues por ali se encontrar a casa de férias da fadista, local onde passava temporadas em busca de descanso. A proximidade é tanta que o acesso pedonal à praia faz-se por uma escadaria que nasce precisamente junto à antiga casa da artista.
Segundo a NiT, apesar da crescente visibilidade, a Praia da Amália ainda mantém alguma discrição. O trilho até ao areal, não sendo fácil, afasta multidões. A escadaria, embutida na falésia, exige atenção e resistência, o que ajuda a preservar a tranquilidade do lugar.
Entre barcos, cascatas e falésias
A configuração da praia inclui formações rochosas marcantes, uma pequena enseada usada por pescadores e até uma curiosa cascata, conhecida por Cascata das Cobras. A praia é apreciada por praticantes de caça submarina, sobretudo nas zonas de pedra corrida e lajes no fundo marinho.
De acordo com o Visit Portugal, a Praia da Amália está integrada no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Esta zona alberga uma biodiversidade única, sendo o único local do mundo onde a cegonha branca nidifica em falésias costeiras.
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São Teotónio: a freguesia que a guarda
A praia situa-se na freguesia de São Teotónio, concelho de Odemira. A vila mais próxima está a cerca de 15 km. No centro de Odemira, o rio Mira acompanha a paisagem e desenha um cenário que convida a passeios de barco ou sessões de remo.
Conforme a mesma fonte, a localidade é também conhecida pelo seu artesanato tradicional e pelas referências históricas ligadas a nomes como Sarmento de Beires e Damiano, autor de um dos primeiros manuais de xadrez.
A relação entre a fadista e a praia é mais do que simbólica. A casa, ainda existente, pode ser visitada, tal como o caminho de acesso ao areal. A ligação emocional que Amália estabeleceu com o lugar acabou por perpetuar o nome da cantora no imaginário local.
Um ‘refúgio’ para quem aprecia o essencial
Não há grandes infraestruturas à beira-mar. O areal é limitado, mas suficiente para quem procura contemplação em vez de multidões. A paisagem, moldada pelo tempo e pelas marés, oferece abrigo natural entre falésias, onde crescem plantas autóctones e se ouve apenas o som do mar.
Com o tempo, este local foi também sendo descoberto por praticantes de surf e por naturistas, que encontram aqui um espaço mais livre e menos vigiado. A ausência de vigilância balnear formal requer cautela, especialmente em dias de ondulação mais forte.
Acesso reservado aos atentos
Chegar à Praia da Amália exige atenção aos sinais e disposição para caminhar. A estrada que conduz ao Brejão é asfaltada, mas a entrada para a praia não está amplamente sinalizada.
Este fator, conforme refere o Algarve Marafado, contribui para que o espaço continue relativamente preservado.
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