A obra A justa desproporção, de Daniel Jonas, foi distinguida com o Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários APE/Câmara Municipal de Loulé, numa decisão unânime do júri.
A deliberação foi tomada por um júri coordenado por José Manuel Mendes e composto por Carlos Albino Guerreiro, Isabel Cristina Mateus e José Carlos Seabra Pereira.

Na fundamentação da decisão, pode ler-se: “…O júri decidiu, por unanimidade, distinguir A justa desproporção, de Daniel Jonas, pelo olhar atento, pessoalíssimo e minucioso a tudo aquilo que vem à rede dos dias, gestos, vozes, expressões, lugares, canções, livros, filmes ou programas televisivos”.
O texto sublinha ainda a abordagem crítica e criativa do autor, evidenciando “o saboroso modo de pensar o mundo e a linguagem, de interrogar, com humor e ironia, frases feitas ou desmontar o funcionamento da língua”.
Obra cruza referências e desafia o leitor
Segundo o júri, o livro destaca-se também pela forma como convoca múltiplas referências culturais, reunindo autores e universos distintos, “de Buñuel e Truffaut de Shakespeare e Dante a Dylan e Rui Reininho, passando pela música country, pelo soul e pela música eletrónica de Jean Michel Jarre”.
As crónicas presentes na obra exploram temas diversos, desde a astrologia às artes e à gastronomia, desafiando rotinas e questionando “lugares-comuns, a justa proporção” do quotidiano.
O júri considera que este exercício “cativa o leitor”, ao mesmo tempo que o provoca e estimula a reflexão.
Prémio distingue obra publicada em 2025
Instituído pela Associação Portuguesa de Escritores, com o patrocínio da Câmara Municipal de Loulé, o Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários distingue anualmente uma obra em língua portuguesa, de autor nacional, publicada em primeira edição em Portugal.
Na edição deste ano, referente a obras publicadas em 2025, o galardão tem um valor monetário de 15 mil euros.
Cerimónia marcada para 14 de maio
A entrega do prémio está agendada para o próximo dia 14 de maio, pelas 11:00, na Cerca do Convento do Espírito Santo, no âmbito das comemorações do Dia do Município de Loulé.
Ao longo das suas 11 edições, o prémio distinguiu autores como José Tolentino Mendonça, Rui Cardoso Martins, Mário Cláudio, Pedro Mexia, Mário de Carvalho, Lídia Jorge, José Eduardo Agualusa, Miguel Esteves Cardoso, Dulce Maria Cardoso e Helder Macedo.
Daniel Jonas estreia-se na prosa
Nascido no Porto, em 1973, Daniel Jonas tem uma carreira consolidada sobretudo na poesia, com várias obras premiadas, entre as quais Sonótono, Nó, Oblívo e Cães de chuva.
O autor foi também nomeado para o Prémio Europeu da Liberdade e distinguido com o Prémio David Mourão-Ferreira. Enquanto dramaturgo, assinou várias peças e, como tradutor, trabalhou textos de autores como Shakespeare, Dickens ou Wordsworth.
Doutorado em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa, leciona no ensino básico e universitário. A justa desproporção assinala a sua estreia no género da prosa.
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