Há quem tenha encontrado nos CDs uma forma pouco convencional de lidar com um problema cada vez mais comum em varandas e telhados das cidades. O que parecia ser apenas um objeto esquecido em gavetas acabou por ganhar nova utilidade ao ar livre.
Estes objetos tornaram-se uma forma simples e eficaz de afastar pombos das varandas e telhados, ajudando a prevenir danos, sujidade e riscos para a saúde. A técnica, cada vez mais usada em Portugal, aproveita os reflexos da luz nos discos para desorientar os animais e levá-los a procurar outro espaço.
De acordo com o jornal espanhol AS, ao rodopiarem pendurados ao vento, os CDs funcionam como espantalhos modernos. Os brilhos que emitem confundem as aves e tornam o ambiente desconfortável para que façam ninho ou permaneçam no local. É uma solução acessível, sustentável e sem impacto negativo na fauna.
Uma prática comum em varandas e hortas
Embora sejam mais visíveis nas cidades, também nos campos os agricultores recorrem a CDs usados para proteger colheitas. Funcionam como complemento a espantalhos tradicionais, garantindo que os pássaros se afastam das plantações.
Além de ecológico, este método destaca-se por ser reutilizável. Discos guardados em gavetas ou esquecidos em caixas ganham assim nova vida, evitando o recurso a produtos químicos ou redes mais dispendiosas.
Problemas causados pelas fezes de pombos
A presença destas aves traz riscos sérios para a saúde pública e para o património urbano. As fezes, conhecidas como guano, podem conter microrganismos como Cryptococcus, Histoplasma e Chlamydia psittaci, responsáveis por doenças respiratórias potencialmente graves.
Em contacto com o ar, os dejetos secos transformam-se em poeiras que, ao serem inaladas, afetam sobretudo pessoas com sistema imunitário fragilizado ou doenças pulmonares.
Para além da saúde, as fezes corroem pedra, tijolo, betão e metais. O ácido úrico presente nos dejetos é altamente agressivo e acelera a degradação das fachadas. Combinado com chuva e poluição, potencia ainda a formação de microflora que deteriora tintas e rebocos.
Ao longo dos anos, os custos de manutenção de edifícios expostos à ação constante de pombos podem ser muito elevados, sobretudo em centros históricos.
Infiltrações e danos em telhados
As aves procuram telhados e caleiras para nidificar. A acumulação de fezes, penas e outros materiais obstrui facilmente os sistemas de drenagem, favorecendo infiltrações e até inundações em épocas de chuva.
Estas situações exigem limpezas frequentes e intervenções de manutenção que representam encargos adicionais para os proprietários e condomínios.
Uma defesa prática e sem custos
Face a todos estes riscos, os CDs apresentam-se como uma medida prática e económica para quem procura reduzir a presença de pombos, de acordo com o AS. Não prejudicam as aves, evitam a acumulação de sujidade e ajudam a preservar tanto a saúde como os edifícios.
O que parecia um objeto obsoleto ganha assim utilidade renovada, transformando-se num aliado discreto na luta contra problemas urbanos e rurais causados pelas aves.
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