A Ryanair lançou nas redes sociais um apelo para que os passageiros deixem de viajar de calças de ganga em 2026 e a publicação gerou milhares de reações por não explicar o motivo, alimentando suspeitas de que se trata de mais uma provocação da marca ou de uma indireta às regras de bagagem.
O conteúdo da Ryanair começou a circular com a frase “it’s 2026, let’s stop travelling in jeans”- (estamos em 2026, pare de viajar com calças de ganga), acompanhada de um “please”, sem qualquer explicação adicional sobre segurança, conforto ou regras de bordo.
Sem contexto, a mensagem abriu espaço a interpretações: para uns, é apenas humor; para outros, é mais um “cutelo” comunicacional que aponta para discussões antigas sobre espaço, mala gratuita e custos extra.
O que a Ryanair disse (e o que não disse)
Até ao momento, a companhia não publicou uma nota formal a clarificar a razão do apelo, mantendo o tom típico de redes sociais que tem usado em publicações semelhantes sobre “jeans” nos últimos meses.
Essa estratégia não é nova: há publicações em que a Ryanair “brinca” com o tema e provoca reações precisamente por tocar num nervo sensível, a forma como os passageiros se vestem para poupar espaço na bagagem.
Nos comentários (sobretudo em publicações noutras plataformas), repetem-se referências ao mesmo argumento: muita gente usa calças de ganga por serem volumosas e, assim, evita levá-las na mala pequena permitida gratuitamente.
A pista mais provável: o “efeito bagagem” e a forma como as pessoas viajam
Apesar de não haver confirmação oficial de ligação entre o apelo e as regras de bagagens, a discussão surge numa altura em que a política de mala gratuita continua a ser um dos temas mais falados nas low cost.
Atualmente, a Ryanair permite uma peça pequena gratuita que tem de caber debaixo do assento, e cobra por bagagem adicional de cabine (como a mala de 10 kg) através de serviços como “Priority & 2 Cabin Bags”.
Em setembro de 2025, a empresa anunciou a instalação de medidores maiores em 235 aeroportos e confirmou a atualização do tamanho da mala pessoal gratuita para 40×30×20 cm, indicando tratar-se de um aumento de volume face ao padrão anterior referido pela companhia.
O pano de fundo: multas, polémicas e escrutínio público
O tema das taxas por bagagem de mão tem sido alvo de decisões e polémicas em Espanha, onde o Ministério do Consumo multou várias companhias (incluindo a Ryanair) em 179 milhões de euros por práticas consideradas abusivas, incluindo a cobrança extra por bagagem de cabine.
Em 2025, também houve notícias de que a Comissão Europeia contestou a forma como Espanha aplicou estas coimas, mantendo o debate vivo entre reguladores, consumidores e companhias aéreas.
Neste cenário, qualquer “piada” sobre roupa, sobretudo algo associado a “vestir mais para levar menos”, tende a ser lida como recado sobre custos, limites e fiscalizações à porta de embarque.
O que fazer antes do próximo voo
Para já, não existe indicação de que a Ryanair vá proibir calças de ganga em 2026: o mais prudente é ler a publicação como comunicação informal e confirmar sempre as regras de bagagem no canal oficial antes de viajar.
Se a dúvida é logística, a regra prática mantém-se: mede a tua mala pequena para garantir que cumpre o limite e evita surpresas no embarque, e escolhe roupa sobretudo por conforto e mobilidade, especialmente em voos mais longos.
No fim, a polémica diz mais sobre a relação “amor-ódio” com a marca do que sobre moda: enquanto não houver explicação, a Internet continuará a fazer o que faz melhor, preencher o silêncio com teorias, memes e queixas sobre bagagens.
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