Vender online já faz parte do dia a dia de muitos portugueses. Plataformas digitais de compra e venda ligam milhares de pessoas e, para dar mais segurança ao negócio, muitos recorrem ao serviço dos CTT “à cobrança”. À primeira vista, parece o método perfeito: o comprador paga apenas quando recebe e o vendedor sente que o dinheiro está garantido. Mas nos últimos tempos surgiram relatos que mostram como esse sistema pode falhar de forma preocupante.
Nos fóruns e redes sociais começaram a aparecer queixas de vendedores que viram as suas encomendas adulteradas. O padrão repete-se: o produto é enviado, não é levantado pelo comprador e acaba por regressar ao remetente. Só que, em vez do artigo original, regressa uma caixa alterada com um objeto sem valor.
Como funciona o golpe das encomendas à cobrança
Como explica o site de tecnologia Leak, o esquema joga com a confiança que sempre existiu neste tipo de envio. O vendedor entrega o artigo nos CTT, devidamente embalado, e parte do princípio de que, se não for levantado, regressará intocado. Porém, em algum ponto do processo logístico, alguém consegue abrir a caixa, trocar o conteúdo e voltar a fechá-la de forma a não levantar suspeitas.
De acordo com relatos partilhados em comunidades online, já houve casos de telemóveis e peças informáticas substituídos por simples embalagens vazias ou detergentes. O vendedor só descobre o engano quando recebe a encomenda de volta, aparentemente intacta por fora mas sem nada de valor lá dentro.
Onde pode estar a falha
A maioria dos utilizadores que denuncia a situação aponta para a possibilidade de haver intervenção de quem tem acesso direto às encomendas. A suspeita recai sobre conluio interno nos CTT ou em empresas subcontratadas no processo de transporte.
O facto de o levantamento só acontecer mediante identificação no balcão não ajuda a resolver o problema. Nessa fase, a caixa já percorreu diversos armazéns e centros de distribuição, onde pode ter sido alvo da troca. Segundo muitos destes relatos citados pela mesma fonte, o golpe dificilmente seria possível sem acesso ao circuito logístico.
A confiança posta em causa
O problema é que o método “à cobrança” foi sempre visto como uma das opções mais seguras para transações online. O vendedor sente-se protegido ao acreditar que, se não houver pagamento, o produto regressa tal como saiu. O comprador, por sua vez, acha que só tem de pagar quando tiver o artigo nas mãos.
Quando o conteúdo é adulterado a meio do processo, esta rede de confiança desmorona. Tanto quem vende como quem compra fica em risco, e o próprio sistema perde credibilidade.
O que fazer em caso de burla
Quem se deparar com uma situação destas não deve ficar de braços cruzados. Os CTT aconselham os clientes a formalizar uma reclamação, seja através do livro de reclamações físico, seja na plataforma digital. Paralelamente, é recomendável apresentar queixa na PSP ou na GNR, uma vez que se trata de crime de burla e furto.
De acordo com especialistas em defesa do consumidor, é fundamental reunir provas: fotografias da embalagem no momento do envio, comprovativos da expedição e imagens da encomenda quando chega adulterada. Contactar a plataforma de venda usada também ajuda a registar o caso e a alertar outros utilizadores.
Como reduzir o risco no futuro
Não há garantias absolutas, mas de acordo com o Leak há medidas preventivas que podem diminuir bastante o risco. Uma das principais é evitar o envio à cobrança de artigos de valor elevado. Outra passa por usar embalagens invioláveis, com selos de segurança que denunciem qualquer manipulação.
Registar em fotografia o momento da preparação da caixa, com o produto no interior e o fecho aplicado. pode ser útil se for necessário apresentar provas. Nos artigos de maior valor, pode compensar apostar em entregas presenciais ou em modalidades de envio com seguro associado, sempre pedindo comprovativos detalhados.
Quando o crime se adapta ao sistema
O esquema das encomendas adulteradas mostra como a criminalidade encontra forma de explorar as fragilidades de processos que pareciam seguros. À superfície, trata-se de um simples serviço postal. Na prática, pode ser a porta aberta para perder artigos de valor sem nunca ver o dinheiro prometido.
Para quem vende online, fica o alerta: a confiança no sistema “à cobrança” já não é suficiente. É preciso redobrar cuidados, mesmo nos métodos que, até agora, pareciam à prova de falhas.
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