Falar de verão em Portugal é falar de areia quente, mar gelado e vendedores a percorrerem quilómetros com caixas térmicas cheias de bolas de Berlim. Este doce, tipicamente coberto de açúcar e recheado com creme ou outras variações, é uma das iguarias mais consumidas em praias portuguesas. No entanto, o seu impacto na saúde oral nem sempre é tido em conta por quem o consome.
De acordo com o Notícias ao Minuto, a bola de Berlim ocupa o terceiro lugar na lista dos doces mais vendidos nas pastelarias portuguesas. A sua fama ganha ainda mais força durante a época balnear, altura em que muitos portugueses a escolhem como lanche de praia. No entanto, os especialistas da área da ortodontia alertam para cuidados essenciais após o consumo.
Comer com hora marcada (e com mais coisas ao lado)
A Impress, empresa especializada em saúde oral, recomenda que este doce seja incluído nas refeições principais.
Segundo a mesma fonte, ao ser consumida durante o almoço ou jantar, a bola de Berlim beneficia de um efeito protetor proporcionado pela produção acrescida de saliva durante a refeição. Este mecanismo natural ajuda a neutralizar os ácidos e a limpar a boca de restos alimentares.
Desta forma, a sobremesa típica de verão torna-se menos agressiva para os dentes do que quando ingerida de forma isolada, como lanche. O consumo entre refeições, explica o site, aumenta o tempo de exposição dos dentes aos açúcares e reduz a eficácia da limpeza oral natural.
Pastilha em vez de escova? Por vezes, sim
A higiene oral após a ingestão de doces é uma recomendação habitual. Contudo, refere a mesma fonte que, sendo este um produto consumido maioritariamente na praia, a escovagem dos dentes nem sempre é viável. Nesses casos, a sugestão passa por mastigar pastilha elástica sem açúcar.
Revela a Impress ao Notícias ao Minuto que esta solução estimula a produção de saliva e ajuda a limpar os dentes de forma eficaz, funcionando como alternativa provisória à escovagem. A dica, além de prática, permite manter a saúde oral controlada mesmo fora de casa.
A origem é alemã, mas o verão é português
Apesar de ser hoje um símbolo dos verões portugueses, a bola de Berlim não é uma criação nacional. Conforme o portal ligado ao turismo, Visit Lisboa, a sua introdução em Portugal aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, através da família judia Davisohn, refugiada alemã que trouxe consigo a receita do Berliner Pfannkuchen.
Acrescenta a publicação que foi em Lisboa, nas praias da capital, que esta família começou a produzir e vender as primeiras versões do doce. A receita original consistia numa massa frita com açúcar e recheada com compota de frutas, sobretudo morango ou frutos vermelhos.
Creme pasteleiro e outras variações
Com o tempo, a receita foi sendo adaptada ao gosto local. A versão tradicional portuguesa inclui agora recheio de creme pasteleiro amarelo, feito à base de ovos. Refere a mesma fonte que, nas últimas décadas, surgiram outras variações, com sabores, como chocolate, coco, limão, avelã ou frutos vermelhos.
Hoje é possível encontrar bolas de Berlim em praticamente todas as pastelarias do país, mas é na praia que continuam a ser mais procuradas. Os vendedores, com o típico pregão “Olha a bolinha!”, mantêm viva a tradição que atravessou gerações e fronteiras.
Leia também: Especialista avisa: não compre pêssegos no supermercado se estiverem assim e esta é a razão
















