Uma decisão recente da Ryanair vai alterar a forma como muitos viajantes chegam a uma cidade espanhola próxima da fronteira portuguesa. O encerramento de rotas está previsto para 2026 e insere-se num plano mais vasto de cortes que a transportadora justifica com as taxas aeroportuárias praticadas no país vizinho, consideradas demasiado elevadas.
De acordo com o Jornal de Notícias, a cidade de Vigo vai perder todos os voos da Ryanair a partir de janeiro de 2026. A transportadora irlandesa confirmou que suspenderá também as ligações para Tenerife Norte já no próximo inverno, no âmbito de uma redução de capacidade que afetará várias regiões espanholas.
Base encerrada e cortes regionais
Segundo a mesma fonte, a empresa vai encerrar a sua base em Santiago de Compostela, onde mantinha duas aeronaves, representando uma perda de investimento estimada em 171,5 milhões de euros para a Galiza. Além disso, os aeroportos de Valladolid e Jerez vão continuar fechados até, pelo menos, ao inverno de 2025.
Escreve o jornal que a transportadora reduzirá em 41% a sua operação em aeroportos regionais espanhóis, o que corresponde a menos 600 mil lugares, e em 10% nas ilhas Canárias, o equivalente a 400 mil assentos.
Acrescenta a publicação que o corte global em Espanha rondará os 16% da capacidade, traduzindo-se em perda de conectividade, turismo e postos de trabalho. A empresa estima que muitas rotas se tornem economicamente inviáveis face às atuais condições impostas pela gestora aeroportuária Aena.
Refere a mesma fonte que, só nas Canárias, haverá menos 36 ligações diretas com o continente espanhol, desviando cerca de dois milhões de lugares anuais para outros destinos, como Itália, Marrocos, Croácia e Albânia.
Acusações à política espanhola
Explica o Jornal de Notícias que Eddie Wilson, executivo da Ryanair, acusou o governo espanhol de promover uma política “anti-turismo”, ao não reduzir tarifas em aeroportos regionais e ao permitir aumentos de 6,62% já confirmados para o próximo ano. Segundo o responsável, essa estratégia coloca em risco a viabilidade de vários aeroportos, que se encontram subutilizados.
Aposta em outras rotas
A companhia confirma que continuará a crescer em aeroportos onde as taxas são consideradas mais competitivas, como Málaga e Alicante. Para os restantes, mantém a previsão de redirecionar a frota para países que oferecem condições mais favoráveis ao investimento.
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