Viajar de avião tornou-se banal, mas há detalhes pouco conhecidos que fazem diferença na segurança e no conforto, e a limpeza do para-brisas e das janelas da cabine é um deles. Ao contrário do que acontece em casa, os materiais e os cuidados a ter numa aeronave são específicos, e um produto inadequado pode riscar, manchar ou degradar superfícies sensíveis. É neste contexto que a água com gás surge como um aliado.
Ainda assim, há situações em que a “solução do momento” entra em cena. Um exemplo que ganhou popularidade é o uso de água com gás (ou “club soda”) para dar uma limpeza rápida às janelas do cockpit antes de um voo, sobretudo quando não há tempo ou apoio imediato de limpeza especializada.
O que está por trás do truque
De acordo com o portal espanhol La Razón, a explicação mais citada é prática: a água com gás não contém açúcar, ao contrário de refrigerantes, e por isso não deixa película pegajosa no vidro ou no material transparente. Isso reduz o risco de manchas e resíduos que pioram a visibilidade.
Além disso, por ter dióxido de carbono dissolvido, forma uma pequena quantidade de ácido carbónico, uma acidez leve que pode ajudar a “descolar” sujidade superficial, como poeiras e marcas deixadas por insetos. Não é magia: é química suave, aplicada com um pano macio.
O tema foi explicado publicamente por Joi Schweitzer, numa partilha que descreve este método como um recurso comum entre alguns pilotos, pela facilidade de ter uma garrafa disponível a bordo.
O que dizem as boas práticas de limpeza
Apesar da popularidade do “truque”, as recomendações de segurança apontam para outro caminho: usar panos adequados (por exemplo, microfibras limpas) e líquidos apropriados para superfícies aeronáuticas, evitando materiais abrasivos e técnicas que aumentem o risco de riscos.
Em aviação, o “apropriado” costuma significar “compatível com o material e conforme o manual do fabricante/operador”. A Federal Aviation Administration não “aprova” produtos de limpeza como regra geral; a referência prática é seguir orientações de fabricantes (OEM) e critérios técnicos de qualificação.
Também há orientações setoriais que reforçam a ideia de usar produtos autorizados: a IATA, por exemplo, inclui em guias operacionais a limpeza de janelas com “limpadores de vidro autorizados” (no contexto de procedimentos de limpeza e desinfeção).
Quando a água com gás pode ajudar (e quando não)
Na prática, e segundo o La Razón, a água com gás pode ser útil como solução rápida para sujidade leve e recente, sobretudo quando a alternativa seria descolar com força uma mancha seca, aumentando o risco de riscos. Mesmo assim, deve ser aplicada com cuidado e com pano macio, sem “esfregar a seco”.
Já para gordura, óleo, resíduos mais agarrados ou limpeza “a sério”, a regra é recorrer a produtos próprios para aviação. A Boeing, por exemplo, recomenda especial cuidado na limpeza de janelas e o uso de produtos adequados (tipicamente sem amónia), precisamente para evitar danos e manter a transparência.
Em resumo: a água com gás pode funcionar como “plano B” pontual, e há quem a use por experiência e conveniência, mas não deve ser confundida com procedimento oficial. Quando a visibilidade e a integridade do material estão em causa, o que conta é seguir as orientações do operador e do fabricante, com produtos compatíveis e técnicas seguras.
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