Chegar cedo à praia para “marcar lugar” pode sair caro. Em localidades como Cullera, em Valência, já há turistas multados por entrarem antes do horário permitido e deixarem toalhas ou chapéus de sol na areia sem estarem presentes. Segundo o jornal espanhol AS, as coimas nas praias começam nos 750 euros e podem chegar aos 3.000, dependendo da gravidade da infração.
A chamada “guerra das sombrinhas” não é exclusiva de Cullera. Vários municípios da costa espanhola estão a impor regras semelhantes para evitar que a praia amanheça cheia de espaços reservados sem ninguém por perto.
De acordo com a mesma fonte, esta medida é justificada como forma de garantir que todos tenham acesso justo às primeiras linhas de areia, sobretudo nos fins de semana e em plena época alta.
Um conflito crescente
Entre os residentes, muitos aplaudem a norma. “Estava farto de ver parcelas marcadas com cordas e chapéus vazios, enquanto outros tinham de procurar lugar na segunda ou terceira linha”, desabafa um vizinho de Algemesí ao jornal espanhol El Periódico.
Outro habitante de Cullera acrescentou ao AS que estas práticas criam tensões entre banhistas: “Pensam que são donos da praia e causam conflitos com os outros”.
Para as autoridades locais, o objetivo é preservar a convivência e impedir abusos de quem se antecipa demasiado, ocupando espaço público de forma irregular.
A perspetiva dos turistas
Do outro lado estão os que acordam cedo para garantir o lugar em frente ao mar. Argumentam que não fazem mal a ninguém e que a proibição limita tradições de décadas. “Há mais de 30 anos que nos levantamos cedo para ficar em primeira linha. Quem quiser sombra que faça o mesmo”, defende um veraneante.
Lembram ainda que, para além destas restrições, muitas praias já têm zonas reservadas a concessionários de chapéus de sol e espreguiçadeiras, deixando menos espaço para quem chega de forma espontânea.
A surpresa, para muitos turistas, chega quando descobrem que este hábito pode pesar fortemente no bolso.
Receios de excessos
Nem todos são críticos. Há quem aceite a medida, mas tema que a aplicação seja demasiado rígida. Uma veraneante recorda que até sair para tomar o pequeno-almoço pode resultar em multa: “A normativa é necessária, mas receio que se acabe a penalizar famílias que deixam só uma cadeira para ir comer”.
Este equilíbrio entre disciplina e bom senso está no centro do debate. A fiscalização tende a intensificar-se nas alturas de maior afluência, mas muitos pedem flexibilidade para situações ocasionais.
Uma tendência que pode alargar-se
Segundo o AS, as regras de Cullera refletem uma tendência crescente noutros pontos da costa espanhola. Cidades e vilas procuram evitar cenas de disputa e tensão matinal, que marcam negativamente a experiência balnear.
Muitos comerciantes locais também têm opinião formada sobre o assunto. Alguns donos de cafés e restaurantes junto à praia afirmam que a medida até pode ser positiva, já que evita discussões matinais entre turistas e contribui para um ambiente mais relaxado ao longo do dia.
Com praias lotadas e procura elevada, a gestão do espaço público ganha relevância. E, ao que tudo indica, o fenómeno poderá chegar a mais localidades nos próximos verões.
Para já, a mensagem é clara: quem deixar toalhas, cordas ou chapéus de sol na areia sem estar presente arrisca uma multa considerável.
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