Com a chegada do calor, multiplicam-se os jantares no exterior, as janelas abertas e as noites ao ar livre, mas também os mosquitos. À medida que as temperaturas sobem, cresce a procura por soluções eficazes e naturais para manter estes insetos à distância. Um antigo método japonês está agora a conquistar popularidade, prometendo afastar os mosquitos de forma sustentável e eficaz, sem químicos agressivos.
Segundo aponta o jornal espanhol Ok Diario, este método “funciona de verdade”, e trata-se de uma técnica usada há gerações no Japão, conhecida como katori senkō, um tipo de espiral de incenso concebido especificamente para repelir mosquitos. Muito semelhante às espirais vendidas em lojas de campismo, distingue-se pela sua composição natural e elevada eficácia, baseada numa filosofia preventiva mais do que apenas reativa.
O ingrediente principal é o piretro, um extrato vegetal obtido das flores do crisântemo, conhecido pelas suas propriedades repelentes e inseticidas. Combinado com pó de madeira, amido e, em algumas versões, aletrina (composto sintético), este incenso atua por combustão lenta, libertando um fumo que interfere com o sistema nervoso dos mosquitos.
Uma tradição enraizada no Japão
O katori senkō é um elemento comum nos lares japoneses durante o verão. Usado tanto em interiores ventilados como em varandas, jardins e até templos, é muitas vezes colocado num suporte metálico em forma de porco, símbolo tradicional deste tipo de incenso. A combustão liberta um fumo subtil mas eficaz, que cria um ambiente hostil para os mosquitos, sem necessidade de contacto direto.
Ao longo dos anos, a fórmula foi sendo aperfeiçoada, com maior rigor na toxicidade e adaptação à vida urbana. Hoje, representa um exemplo claro de como tradição e ciência podem coexistir numa solução eficaz, segura e acessível.
Um método que vai além da espiral
O segredo da eficácia japonesa não está apenas no incenso. O país aposta numa abordagem integrada, que começa pela prevenção: evitar que os mosquitos entrem em casa ou se reproduzam nos arredores. Um dos pilares deste sistema é o uso generalizado de mosquiteiras em portas e janelas, comuns nas casas japonesas, permitem ventilação sem entrada de insetos.
As plantas repelentes são outro recurso habitual. Menta, citronela e manjericão são cultivadas em vasos ou jardins, funcionando como barreiras aromáticas que afastam os mosquitos e, ao mesmo tempo, decoram os espaços.
Este conjunto de práticas forma uma estratégia coerente e eficaz, com base no equilíbrio entre conforto humano e respeito pelo ambiente. Uma alternativa sustentável aos sprays e aparelhos elétricos que dominam o mercado ocidental.
Cuidados e recomendações
Como qualquer produto que envolve combustão, o katori senkō deve ser utilizado com precaução. É recomendado manter a espiral fora do alcance de crianças e animais, e usá-la sempre em locais ventilados. Pessoas com asma ou alergias respiratórias devem evitar exposição prolongada ao fumo.
Apesar disso, o uso moderado e sensato deste método não representa riscos significativos para a maioria das pessoas, de acordo com o Ok Diario. Trata-se de uma solução simples, prática e eficaz que, além de proteger contra picadas, ajuda a reduzir o uso de produtos químicos em ambientes domésticos.
Combinando tradição, ciência e bom senso, este método japonês mostra que é possível combater os mosquitos sem recorrer a soluções agressivas. E com o verão ainda para durar, talvez valha a pena seguir o exemplo do Japão, e trocar o spray por uma espiral.
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