É um dos peixes mais procurados pelos portugueses e está associado a uma alimentação equilibrada e saudável. Presença habitual nas bancas de supermercados e nos menus de quem procura este tipo de alimentação, o salmão é rico em ómega-3, proteínas e minerais essenciais. No entanto, vários especialistas em segurança alimentar e nutrição têm vindo a alertar para os riscos associados a determinadas práticas de produção, sobretudo no caso do salmão de viveiro.
Um artigo recente do jornal espanhol AS classificava este peixe como “o mais perigoso do mundo”, com base em estudos que identificam mais de 70 tipos de parasitas ao longo do seu ciclo de vida, embora os especialistas da EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos) sublinhem que o verdadeiro risco para o consumidor está sobretudo no parasita Anisakis, e que este pode ser neutralizado com a congelação adequada.
Viveiros sob vigilância
O salmão selvagem, capturado no seu habitat natural, tem uma alimentação variada e um perfil nutricional mais equilibrado. Já o salmão de aquacultura é muitas vezes criado em tanques superpovoados, alimentado com rações industriais e sujeito a tratamentos regulares com antibióticos, pesticidas e substâncias químicas para combater parasitas como o piolho-do-mar.
Ambientes tóxicos
Relatórios independentes, como os publicados pelo The Ferret e organizações como a SalmonReform, documentam a utilização crescente de produtos tóxicos, nomeadamente peróxido de hidrogénio, que obrigam os trabalhadores dos viveiros a usarem fatos de proteção total. Alguns desses produtos, mesmo quando aplicados dentro dos limites legais, podem deixar resíduos acumulados nos tecidos do peixe.
Calorias e composição nutricional
A diferença entre o salmão de viveiro e o selvagem não se fica pelo método de criação. De acordo com a mesma fonte, o valor calórico também varia: o salmão de aquacultura pode ter cerca de 208 kcal por cada 100 gramas, contra apenas 142 kcal no caso do selvagem. Isto deve-se, em parte, à maior concentração de gordura acumulada durante o processo de engorda intensiva.
Ainda assim, o salmão mantém-se como uma importante fonte de nutrientes: é rico em ómega-3 (EPA e DHA), ferro, fósforo, selénio, iodo, magnésio, cálcio e vitaminas do complexo B, incluindo B12 e vitamina D, esta última essencial para a saúde óssea e o sistema imunitário, especialmente em idades mais avançadas.
Riscos controláveis, mas reais
O principal parasita identificado, Anisakis simplex, pode causar problemas gastrointestinais sérios se consumido em peixe cru ou mal cozinhado. No entanto, segundo a EFSA, a congelação a −20 °C durante 24 horas elimina o risco. A recomendação aplica-se, por exemplo, ao sushi, ceviche ou peixe marinado.
Além dos parasitas, alguns estudos apontam para a presença de contaminantes como PCBs e dioxinas em salmão de viveiro, embora dentro dos limites legais. A origem e o método de produção continuam, assim, a ser os principais fatores diferenciadores para quem pretende consumir este peixe com segurança.
Alternativas mais seguras e sustentáveis
Nutricionistas citados pelo AS, sugerem a substituição parcial do salmão por peixes como a sardinha, a cavala ou o carapau. Além de serem mais económicos, são igualmente ricos em ómega-3, contêm menos contaminantes, e são frequentemente capturados em águas nacionais, o que reduz o impacto ambiental associado ao transporte e produção intensiva.
Embora o salmão continue a oferecer benefícios importantes para a saúde, os especialistas alertam que a chave está na origem e no modo de preparação. Saber distinguir o que se está a comprar, e como se cozinha, pode fazer toda a diferença no impacto que este peixe terá na saúde a longo prazo.
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