Com o aumento das viagens aéreas nesta época do ano, muitos passageiros já se habituaram às filas, à espera pela bagagem ou aos lugares apertados. Mas há um incómodo silencioso que afeta milhões de viajantes e que nada tem a ver com atrasos ou logística: a dor de ouvidos provocada pelas mudanças de pressão durante o voo.
Um estudo recente, publicado pelo jornal espanhol La Razon, revela que 60% dos espanhóis já sentiram dor de ouvido ao viajar de avião. Na maioria dos casos (54%) o desconforto desapareceu sozinho, mas 6% precisaram de consultar um médico ou especialista, já que a dor persistiu após o voo.
Por que é que os ouvidos sofrem no ar
Os aviões voam, em média, a cerca de 10.000 metros de altitude, onde o oxigénio é praticamente inexistente. Para garantir a segurança e o conforto, as companhias aéreas pressurizam a cabine para simular uma altitude de cerca de 2.500 metros. Este ajuste previne o mal da altitude e outros efeitos fisiológicos associados a altitudes elevadas.
Durante a descolagem e a aterragem, a pressão no interior da cabine muda rapidamente. As trompas de Eustáquio, pequenos canais que ligam o ouvido médio à parte posterior da garganta, têm a função de equilibrar essa pressão. Se não se adaptarem a tempo, cria-se um desnível de pressão entre o interior e o exterior do tímpano, provocando dor e sensação de bloqueio.
Otalgia barotraumática: o nome técnico para o incómodo
Esta dor, conhecida como otalgia barotraumática, surge quando as mudanças de pressão são rápidas e a tuba auditiva não consegue abrir-se corretamente: algo mais comum em pessoas com constipações, congestão nasal ou alergias. Para além da dor e sensação de entupimento, podem ocorrer zumbidos, vertigens e, em casos mais graves, pequenas lesões no tímpano, de acordo com a mesma fonte acima citada.
Como prevenir o desconforto
Juan Ignacio Martínez, diretor dos Aural Hearing Centers, recomenda medidas simples: bocejar, engolir ou mascar pastilha elástica durante a descolagem e a aterragem, para ajudar a abrir a trompa de Eustáquio. Evitar voar com congestão nasal ou constipação é igualmente importante e, se inevitável, usar um descongestionante nasal antes do voo pode fazer a diferença.
Outras dicas incluem manter-se hidratado e evitar dormir durante a descida, quando a mudança de pressão é mais intensa. Protetores auriculares de pressão progressiva ajudam a equilibrar gradualmente a pressão e, no caso de crianças pequenas, chupetas ou biberões são aliados úteis, pois a sucção e a deglutição reduzem o desconforto, refere, citado pela mesma fonte.
E quem usa aparelhos auditivos?
Na maioria dos casos, estes dispositivos não causam problemas durante o voo e devem ser mantidos, salvo indicação médica ou se provocarem desconforto. Martínez aconselha ainda levar baterias ou carregadores extra, já que alterações de temperatura e pressão podem influenciar a duração das pilhas.
Se a dor persistir após a viagem ou houver histórico de infeções de ouvido, a recomendação, segundo o La Razon, é procurar avaliação médica.
Leia também: Viu um pano branco no retrovisor de um carro estacionado? Saiba o que significa e o que deve fazer
















