Ir à praia sem chinelos é impensável para muitos. Leves, fáceis de calçar e resistentes à água, são o acessório mais usado na época balnear. Mas deixá-los ao sol durante horas pode transformar-se num risco silencioso para a saúde dos pés e para a durabilidade do próprio calçado.
De acordo com o site especializado em lifestyle, Leak, o hábito de deixar os chinelos na areia, diretamente expostos ao sol, pode levar a temperaturas surpreendentemente altas na sola, capazes de causar queimaduras dolorosas em poucos segundos.
Em dias de calor extremo, certos materiais chegam a atingir temperaturas próximas das de um forno doméstico, o que representa um perigo particular para crianças e pessoas com pele sensível.
Segundo Jerry Grimes, cirurgião ortopédico especializado em pés e tornozelos na Texas Tech Physicians, os modelos mais finos deixam o pé “nu” perante o calor. Basta alguns minutos ao sol para que a sola aqueça ao ponto de se tornar desconfortável ou até perigosa.
“Este tipo de calçado oferece pouca proteção contra superfícies muito quentes ou irregulares”, sublinha o médico, lembrando que o uso prolongado pode resultar não só em lesões como também em dores musculares que estragam o resto do dia.
Queimaduras e riscos invisíveis
O perigo não está apenas na falta de suporte. Segundo Hubert Lee, podiatra e membro da American Podiatric Medical Association, mesmo quando se está deitado a apanhar sol, os pés continuam expostos.
A sola de um chinelo aquecida pelo sol pode provocar queimaduras de segundo grau, e a situação agrava-se se houver humidade retida após um mergulho. O especialista alerta que calor e humidade criam um ambiente propício à proliferação de fungos como o pé de atleta e bactérias causadoras de infeções.
O portal Bellevue Foot Doctor, dirigido pelo próprio Lee, recomenda ainda o uso de chinelos em zonas como piscinas e balneários para prevenir contacto com superfícies contaminadas. No entanto, esse mesmo calçado, se deixado sob sol intenso, pode transformar-se numa fonte de queimaduras ao voltar a ser usado.
Materiais que sofrem com o calor
O impacto não se sente apenas nos pés. A Sociedade de Chiropodistas & Podologistas do Reino Unido alerta que o sol prolongado sobre os chinelos acaba por desgastar a borracha e os plásticos. Lorraine Jones, podologista da instituição, explica que esse desgaste pode abrir fissuras, deformar o calçado e até fazê-lo encolher, além de intensificar odores que já lá estejam.
Há ainda um detalhe menos óbvio. Certos modelos, sobretudo os mais coloridos ou com estampas, podem libertar pigmentos ou compostos químicos quando aquecidos em excesso. Em contacto com a pele húmida, isso pode provocar irritações ou reações alérgicas.
Como reduzir o risco
De acordo com a Leak, a recomendação é clara: sempre que não estiverem a ser usados, colocar os chinelos à sombra, por baixo de uma toalha ou com a sola virada para baixo. Optar por modelos com sola em EVA de qualidade ou materiais resistentes ao calor ajuda também a reduzir o desconforto.
Mesmo gestos simples, como posicionar corretamente os chinelos na areia, podem evitar queimaduras e garantir que os pés se mantêm confortáveis durante todo o dia. Atenções mínimas que fazem toda a diferença para regressar a casa sem dores nem problemas.
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