É um cenário comum em muitas cozinhas: a porta do frigorífico coberta de recordações de viagens, desenhos das crianças, listas de compras e contas por pagar. Nas redes sociais, porém, tem circulado a ideia de que estes pequenos objetos decorativos podem estar a aumentar o consumo de energia por interferirem com a eletrónica do aparelho.
De acordo com a Endesa e com a Organização de Consumidores e Utilizadores espanhola (OCU), esse receio é, na prática, um mito: o campo magnético de ímanes decorativos é demasiado fraco para alterar o funcionamento do frigorífico ou fazer subir a fatura da luz.
O veredicto sobre o magnetismo
A noção de que o campo magnético dos ímanes “baralha” o motor, o termóstato ou o ciclo de refrigeração não se confirma no uso normal. Segundo a OCU, embora as correntes elétricas interajam com campos magnéticos, o campo gerado por ímanes de souvenir é tão pequeno que não consegue modificar a corrente que alimenta o frigorífico. A Endesa vai no mesmo sentido ao sublinhar que esses campos são tão insignificantes que nem atravessam a porta do eletrodoméstico.
Há, ainda assim, uma nuance: a OCU refere que, em frigoríficos com ecrã tátil, um campo magnético forte poderia, em teoria, causar distorção do ecrã, mas considera isso muito improvável com ímanes decorativos comuns.
Onde mora o verdadeiro perigo
O risco real não está no magnetismo, mas no que um íman (ou um objeto preso por íman) pode provocar mecanicamente. Conforme explica o portal espanhol Maldita.es, uma das formas de poupar energia passa por garantir que nada impede a porta de fechar bem e que a borracha de vedação está em bom estado. Se um íman muito grosso, um clip com mola ou uma lembrança volumosa ficar encostado ao rebordo, pode impedir a vedação perfeita. E quando há fuga de ar frio e entrada de ar quente, o compressor tem de trabalhar mais para recuperar a temperatura.
Um teste simples ajuda a perceber se há perdas: o guia Energy Saver, do Departamento de Energia dos EUA, recomenda fechar a porta com uma folha de papel (ou uma nota) a meio, metade dentro e metade fora. Se o papel sair facilmente, pode haver um problema de vedação ou de ajuste do fecho, e isso, sim, pode traduzir-se em consumo adicional.
O fator humano e os hábitos
Curiosamente, o maior inimigo da eficiência energética não é o íman, mas sim o uso que lhe damos. Quando transformamos a porta do frigorífico num “painel de controlo” com menus semanais, recados complexos ou fotografias novas, tendemos a permanecer mais tempo com a porta aberta enquanto lemos ou reorganizamos esses itens.
Cada segundo de porta aberta obriga o motor a um esforço extra de recuperação térmica. Para poupar energia, a recomendação dos especialistas é manter a zona de fecho da porta livre de obstáculos e garantir que a borracha está limpa e flexível. Um simples teste com uma folha de papel (que deve ficar presa ao fechar a porta) pode revelar se o seu frigorífico está a vedar bem ou se está a desperdiçar dinheiro, independentemente da decoração que ostenta.
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