As viagens, os imprevistos e a rotina imprevisível do trabalho de hospedeiro de bordo continuam a despertar curiosidade, sobretudo quando dão origem a histórias que cruzam aventura, fadiga extrema e experiências únicas pelo mundo. Esta temática, centrada na vida profissional nos céus, ganha forma no percurso de Mateusz Kowalewicz, um jovem polaco que decidiu transformar o gosto por viajar numa carreira.
Mateusz Kowalewicz, de 29 anos, natural de Białystok e atualmente residente em Varsóvia, descobriu cedo o fascínio pelas viagens. A primeira experiência internacional surgiu numa troca escolar para Israel, que lhe despertou o desejo de conhecer outros países. Ainda adolescente, começou a explorar a Europa com orçamentos reduzidos, muitas vezes à boleia para poupar dinheiro, até concluir que a melhor forma de viajar com frequência seria trabalhar como assistente de bordo, de acordo com o jornal britânico The Mirror.
Um trabalho onde não há meses iguais
Em declarações à comunicação social polaca, o hospedeiro de bordo explica que a rotina é tudo menos previsível. A sua companhia opera três tipos de aeronaves e, por isso, cada mês tem escalas diferentes, o que, segundo o jovem, impede que o trabalho se torne monótono.
Uma das conquistas de que mais se orgulha é ter visitado todas as “Novas 7 Maravilhas do Mundo”. Parte destas visitas aconteceu durante escalas de trabalho e outras graças a bilhetes de funcionário, oportunidades que considera um privilégio da profissão.
Entre aventuras e episódios menos agradáveis
O assistente de bordo relata também momentos de tensão, como um voo atingido por um relâmpago. Descreveu a experiência como um clarão intenso, semelhante ao disparo de uma máquina fotográfica junto aos olhos. Pouco depois, a tripulação recebeu a ordem para regressar a Varsóvia. Embora o avião não tivesse ficado danificado, a decisão foi regressar e trocar de aeronave por precaução.
Apesar de gostar do ritmo de viagens, admite que a maior dificuldade é lidar com o sono. Nos voos de longo curso para Oriente, os horários desregulados tornam o descanso complicado. Diz ser um ‘dorminhoco’ por natureza e que qualquer despertar inesperado devido ao fuso horário se torna especialmente difícil, de acordo com a mesma fonte.
Encontros inesperados pelo mundo
O que mais o entusiasma é a imprevisibilidade das escalas. Conta que, numa viagem a Chicago, acabou por conhecer um padre polaco que o convidou para um batizado americano com cerca de duzentas pessoas. Entre os presentes estava um passageiro que tinha transportado meses antes, um encontro que descreve como surpreendente e memorável.
O trabalho também lhe permitiu viver experiências que muitos guardam para a lista de desejos, como saltar de paraquedas no Dubai ou sobrevoar a costa das Maurícias num hidroavião.
Sonhos e conselhos para quem quer seguir o mesmo caminho
Mateusz admite que ainda tem muitos destinos por explorar. O monte Kilimanjaro é um objetivo futuro e confessa sentir-se cada vez mais atraído por África, o continente onde menos viajou até agora, com exceção da Austrália.
Para quem pretende seguir carreira na aviação, o hospedeiro de bordo deixa conselhos simples. Considera que o domínio de línguas é essencial e lembra que é necessário ter pelo menos 18 anos, possuir o ensino secundário completo, saber nadar para situações de emergência e não ter tatuagens visíveis, refere o The Mirror.
A vida nas alturas continua a proporcionar-lhe desafios, imprevistos e oportunidades únicas, uma combinação que, apesar das dificuldades, reforça a paixão que o levou a escolher a aviação como forma de viver e trabalhar.
Leia também: Frio intenso e muita chuva a caminho: estas regiões vão sentir ‘o pior’ do jato polar
















